Opinião: Postura de Ancelotti é vexame maior do que eliminação do Brasil
Treinador fugiu da entrevista depois da eliminação pautada por sua teimosia
O Brasil acaba de assinar uma das páginas mais melancólicas de sua história em Copas do Mundo ao cair nas oitavas de final para a Noruega. Contudo, pior do que o placar em campo foi a postura de Carlo Ancelotti após o apito final. Incensado como o salvador da pátria, o técnico italiano chegou ao posto cercado de pompa e status de intocável, mas entregou um vexame técnico e moral. E aqui, cabe o registro, não falo apenas do resultado.
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Perder faz parte do esporte, ainda mais enfrentando uma geração norueguesa liderada por um dos maiores atacantes do planeta. O verdadeiro problema reside em sua postura.
Ao se recusar a dar a entrevista pós-jogo e jogar seu filho e auxiliar, Davide, para a linha de frente contra os microfones, Ancelotti não quebrou apenas um protocolo da FIFA, ele desrespeitou o torcedor brasileiro. O país queria e merecia uma explicação direta do comandante sobre o naufrágio do projeto, sobre os critérios que definiram, por exemplo, o batedor do pênalti cobrado por Bruno Guimarães. Dar as costas e fugir da imprensa é uma atitude apequenada, incompatível com o tamanho do cargo que ele ocupa.
Soma-se a isso, uma teimosia que beirou o sobrenatural ao longo do torneio. O comandante insistiu em não levar um lateral-direito confiável e bancou a titularidade de Danilo, que há muito tempo não sabe o que é ocupar a posição. Um jogador sem ritmo e claramente sem condições físicas ideais para o nível de exigência de um mata-mata. Não foi por acaso, portanto, que os gols da classificação norueguesa saíram exatamente nas costas do buraco defensivo que o italiano cultivou no setor.
Essa obsessão por nomes, e não pelo desempenho real, também afundou o meio-campo com Casemiro. Só na cabeça da comissão técnica fazia sentido manter o volante como titular absoluto. Ah, mas ele fez o gol contra o Japão, mas só. Desde a estreia ficou nítido que Casemiro não tinha pernas para sustentar a transição. Os meias noruegueses passavam pelo volante brasileiro como se enfrentassem um amador. Ele parecia jogar com o freio de mão puxado, talvez pelo medo legítimo de tomar o terceiro amarelo e ser suspenso.
Para piorar o cenário, houve a gestão desastrosa do ataque. A insistência em forçar a entrada de Neymar em campo desarticulou completamente o que ainda funcionava. Para acomodar o camisa 10, Ancelotti sacrificou Endrick, jogando o garoto para o lado do campo e destruindo o excelente papel de recomposição e profundidade que Rayan vinha exercendo muito bem. O efeito dominó foi imediato: o time perdeu compactação, o meio ruiu e a pane estourou, por último, em um Danilo completamente exposto e sem condições de salvar a zaga.
Se fosse um treinador brasileiro, Carlo Ancelotti seria amassado pela opinião pública. O seu currículo multicampeão na Europa justifica a paciência inicial, mas o peso da história da camisa amarela exige muito mais. Se Ancelotti quiser ver a cor do gramado na próxima Copa, terá que entender, de uma vez por todas, o que é a Seleção Brasileira.
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