A nova onda de calor começou na segunda-feira (6). Segundo a agência meteorológica Météo-France, um sistema de alta pressão, combinado com a chegada de uma massa de ar cada vez mais quente vinda do sul e do oeste do país, está provocando este novo episódio de temperaturas extremas.
Algumas regiões já registraram 41°C na segunda-feira, temperatura que deve persistir nos próximos dias. A Météo-France prevê uma onda de calor "intensa e prolongada". Nesta quarta-feira, os termômetros podem atingir 37°C em Paris, 38°C em Nantes e Limoges, no oeste do país, 39°C em Lyon, no sudeste, 41°C em Montpellier e 42°C em Perpignan, ambas no sul da França.
Por enquanto, apenas a região de Hauts-de-France, no norte, na fronteira com a Bélgica, o litoral do Canal da Mancha e o leste do país escapam das temperaturas mais extremas.
Embora as previsões não alcancem os 45°C temidos no fim de junho, esta nova onda de calor evidencia os efeitos cada vez mais visíveis das mudanças climáticas e ocorre poucos dias após o episódio mais intenso já registrado na França.
Vinte e sete ondas de calor em 16 anos
Em 30 de junho, a França encerrou uma onda de calor que durou quase duas semanas. Embora tenha sido mais curta do que a registrada em 2003, de 16 dias, ela a superou, em intensidade.
Após menos de uma semana de trégua, este novo episódio extremo é o terceiro do ano. Com isso, chega a 53 o número de ondas de calor registradas na França desde 1947. Metade delas ocorreu desde 2010.
Em outras palavras, um francês nascido logo após a Segunda Guerra Mundial viveu, até os 63 anos, em 2010, "apenas" 25 episódios desse tipo. Já um adolescente nascido em 2010 terá enfrentado 28 antes mesmo de completar 16 anos, o que ilustra a rápida aceleração do fenômeno.
Episódios mais frequentes e intensos
Mergulhos no rio Sena e corridas às lojas em busca de aparelhos de ar-condicionado e ventiladores tornaram-se cenas comuns. Segundo projeções científicas, episódios como o atual tendem a se tornar cada vez mais frequentes.
"Daqui a 25 anos, até 2050, se vivenciarmos essa mesma onda de calor, ela nos parecerá normal. E, no fim do século, provavelmente será considerada uma das ondas de calor 'mais frias'", afirmou a climatologista Françoise Vimeux à France Info, em 3 de julho.
A onda de calor de junho foi particularmente letal. O número de mortes aumentou quase 30% em todo o país e mais de 60% na região de Paris durante a semana de 22 de junho. Ainda não é possível determinar quantas pessoas morreram diretamente em consequência das altas temperaturas.
Incêndios
O solo e a vegetação, já ressecados pelas ondas de calor anteriores, também aumentaram o risco de incêndios florestais. Nos Pireneus Orientais, no sul da França, um incêndio destruiu quase 5 mil hectares e obrigou a retirada de 12 mil pessoas. Outro consumiu 1,4 mil hectares no departamento de Drôme, mas ao norte.
Segundo a previsão oficial de risco de incêndios florestais, o perigo será "muito alto" nesta quarta-feira no sul e no sudeste do país.
A situação das reservas de águas subterrâneas também se deteriorou nas últimas semanas. O Serviço Geológico francês BRGM informou, na terça-feira, que em 1º de julho 93% dos aquíferos apresentavam queda no nível de água, ante 77% um mês antes. Além disso, 54% estavam abaixo dos níveis considerados normais, quando a situação ainda era descrita como "geralmente satisfatória" apenas um mês atrás.
Segundo a Météo-France, esta nova onda de calor deve terminar no próximo fim de semana.
Mas vários municípios já anunciaram o cancelamento dos tradicionais shows de fogos de artifício do dia 14 de julho, data da festa nacional da França.
Sul da Europa também enfrenta calor extremo
A Espanha também sofre com as altas temperaturas. A agência meteorológica Aemet emitiu alerta vermelho para áreas da Catalunha, da Comunidade Valenciana e da província de Saragoça, onde as máximas podem variar entre 40°C e 42°C.
O alerta vermelho indica "perigo excepcional", com possibilidade de impactos muito graves para a população e o patrimônio.
A nova onda de calor deve persistir até quinta-feira. Embora o país esteja acostumado às altas temperaturas, os episódios têm se tornado mais frequentes e intensos, com cada vez menos trégua durante o verão.
Esta é a segunda onda de calor do verão espanhol, após um mês de junho que terminou como o segundo mais quente da série histórica, com temperatura média 3,2°C acima do normal, atrás apenas de 2025, segundo a Aemet.
No verão passado, a Espanha também enfrentou os piores incêndios de sua história recente. O aumento das ondas de calor, aliado à redução das chuvas em algumas regiões, cria condições ideais para a propagação de incêndios florestais, já que a vegetação e o solo permanecem cada vez mais secos.