Com ventos de 290 km/h, supertufão Bavi provoca estragos em ilhas americanas no Pacífico

6 jul 2026 - 07h49
(atualizado às 07h57)

O supertufão Bavi atingiu nesta segunda-feira (6) os territórios americanos de Guam e o arquipélago das Ilhas Marianas do Norte, no Pacífico, causando danos na pequena ilha de Rota, de cerca de 1.500 habitantes.

O supertufão provocou ventos de até 290 km/h em Rota, comparáveis aos de um "tornado", segundo o Serviço Nacional de Meteorologia dos Estados Unidos (NWS). A queda de árvores e os cortes de energia poderiam tornar grande parte da ilha "inabitável por semanas ou até mais tempo", segundo o NWS. O arquipélago fica próximo de Guam, outro território americano conhecido por sediar uma importante batalha da Segunda Guerra Mundial, em 1944.

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Há relatos de danos, segundo Lou Rosario, assessor de imprensa do centro municipal de gerenciamento de crises de Rota. Os serviços de telefonia móvel foram interrompidos após a queda de uma torre de retransmissão.

Já a A ilha de Tinian, ao norte de Guam, e o extremo sul de Saipan, nas Marianas do Norte, registraram ventos equivalentes aos de um furacão de categoria 1, explicou o meteorologista Marcus Landon Aydlett, do NWS, durante uma transmissão ao vivo no Facebook. Os arquipélagos estão localizados a milhares de quilômetros a oeste do continente americano.

"O supertufão Bavi está deixando a região e, gradualmente, as condições vão melhorar", afirmou. As autoridades também temem enchentes repentinas em Guam. O NWS informou ainda que ventos de 80 a 100 km/h, com rajadas de até 160 km/h, poderiam persistir até o fim da tarde. Os territórios já haviam sido afetados em abril pelo supertufão Sinlaku, que deixou dezenas de milhares de pessoas sem energia. Em 2023, Guam também sofreu os impactos devastadores do tufão Mawar.

Imagem de satélite mostra o supertufão Bavi se aproximando de Guam, território dos EUA no Pacífico; a tempestade provocou danos nas Ilhas Marianas do Norte e na ilha de Rota, com ventos de até 290 km/h.
Imagem de satélite mostra o supertufão Bavi se aproximando de Guam, território dos EUA no Pacífico; a tempestade provocou danos nas Ilhas Marianas do Norte e na ilha de Rota, com ventos de até 290 km/h.
Foto: RFI

"Sinlaku foi mais violento porque o centro da tempestade passou diretamente sobre Saipan. Com o supertufão Bavi, apenas a periferia da tempestade nos atingiu", explicou Rowell Mariano, morador de 61 anos de Saipan. "Durante a passagem de Sinlaku, nossa casa foi inundada por causa dos ventos fortes e das chuvas intensas, e o teto ficou danificado. Foi uma experiência realmente traumática para nós", relatou.

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Em Guam, centenas de pessoas buscaram abrigo no hotel Guam Plaza, atingido por fortes chuvas impulsionadas pelos ventos. O estabelecimento conta com geradores capazes de funcionar por "dois a três dias", segundo o diretor-geral, Sudipta Basu. "É como um ciclone de categoria 5", afirmou o funcionário de uma mineradora australiana.

El Niño pode gravar desastres naturais

Em Guam, um centro de distribuição foi abastecido com 1,1 milhão de litros de água, 1,2 milhão de refeições, 6.700 camas de campanha e 90 geradores. Cinco abrigos foram instalados em escolas para acolher moradores de áreas mais vulneráveis.

A Organização Meteorológica Mundial (OMM) alertou que o fenômeno climático El Niño, que costuma ocorrer a cada dois a sete anos e dura de nove a 12 meses, já começou no Pacífico tropical.

O fenômeno aquece as águas do centro e do leste do Pacífico equatorial, alterando os padrões globais de vento, pressão e precipitação, o que pode agravar desastres naturais. "Nossa grande preocupação neste ano de El Niño é que estaremos muito mais ocupados do que estivemos nos últimos cinco ou seis anos", afirmou o meteorologista Marcus Aydlett, do NWS.

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Com AFP

Árvore derrubada pelos ventos do supertufão Bavi bloqueia estrada em Guam; tempestade equivalente a um furacão de categoria 5 causou danos nas Ilhas Marianas do Norte e em Rota, no Pacífico. 6 de julho de 2026
Foto: AFP - YUICHI YAMAZAKI / RFI
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