'Tinha uma força divina me ajudando', relembra advogada que salvou família de incêndio no PR

Quase 20 dias após receber alta médica, Juliane Vieira falou sobre o incidente em entrevista ao Fantástico, exibida neste domingo, 8

8 fev 2026 - 21h02
(atualizado às 21h56)
Resumo
Juliane Vieira, advogada que salvou sua mãe e primo de um incêndio em outubro de 2025 em Cascavel (PR), relembrou o episódio e sua recuperação, após sofrer queimaduras em 63% do corpo e passar por um longo tratamento.
'Tinha uma força divina me ajudando', relembra advogada que salvou família de incêndio no PR
'Tinha uma força divina me ajudando', relembra advogada que salvou família de incêndio no PR
Foto: Reprodução/TV Globo

"Desde que eu acordei na UTI e me lembrei de tudo, sei que ali não era somente eu, tinha uma força divina muito forte me ajudando": o depoimento é da advogada Juliane Vieira, 29, que passou mais de três meses internada após salvar a família de um incêndio em um apartamento em Cascavel (PR)

Quase 20 dias após receber alta médica, Juliane relembrou o incidente e comentou sobre a recuperação, depois de ter tido mais de 60% do corpo queimado no incêndio, ocorrido em outubro de 2025. A entrevista foi exibida pelo Fantástico neste domingo, 8. 

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"A princípio fui a primeira sobrevivente [do Hospital Universitário de Londrina] com mais de 60% do corpo queimado e saí bem, saí da UTI andando. Agora a gente vai passar por essa fase de reabilitação e esperar o corpo se regenerar", afirmou Juliane. 

A advogada disse se lembrar de toda a dinâmica da ocorrência, desde ter sido acordada pelo primo Pietro, de 4 anos, até o resgate da mãe, Sueli, e da criança, e o momento em que foi retirada do apartamento em chamas pelo Corpo de Bombeiros. 

"Eu lembro de tudo, lembro do Pietro gritando 'fogo', foi ele que me acordou, inclusive. Então, quando eu saí do quarto, já vi que tinha um fogo grande. O Pietro estava do outro lado do fogo, peguei ele no colo, tentei sair pela única saída, mas ela estava trancada", contou.

Ela falou, então, sobre a decisão de retirar os familiares do imóvel pela janela externa: "Pulei no suporte, não pensei duas vezes, peguei o Pietro por uma mão, coloquei ele na janela de baixo, e falei para ele ficar quietinho e segurar na redinha, e assim ele obedeceu. E, por obra divina, a moradora do apartamento resolveu abrir a janela". 

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Até mesmo a equipe do centro de referência no tratamento de queimados do HU de Londrina se surpreendeu com o caso de Juliane. A advogada chegou na unidade com mais de 60% queimado, salvo por partes da costa e pela cabeça, que passaram ilesos ao incêndio. 

"Na hora em que ela chegou, eu disse: 'meu Deus, o desafio vai ser gigantesco'. Quando eu vi os membros inferiores queimados, perguntei de onde a gente ia conseguir pele para essa menina. Foi uma vitória muito comemorada por todos, porque ela exigiu um esforço da equipe e, quando a gente ganha o jogo juntos, a gente comemora com mais alegria", disse a cirurgiã Xenia Tavares

"Levantar pela primeira vez foi um divisor de águas, embora dolorido, tive a certeza que ia conseguir sair do hospital. Eu ganhei alta, mas o tratamento continua, e ele é tentar regenerar a pele. É difícil, porque preciso tomar banho com auxílio da minha mãe, mas com a fisioterapia diária, estou retomando os movimentos", afirmou Juliane. 

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Relembre o caso

O caso ocorreu no dia 15 de outubro de 2025, no Edifício João Batista. A advogada desceu pela janela do próprio apartamento, no 13º andar, se pendurou na caixa do ar-condicionado na área externa do edifício, e conseguiu retirar sua mãe, Sueli e o primo, de 4 anos, de dentro do imóvel.

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Em um vídeo do momento, que circulou nas redes sociais, é possível vê-la salvando os dois com a ajuda de um morador do andar abaixo do seu. Com o incidente, os três precisaram ser internados devido às queimaduras. 

Dois bombeiros também ficaram feridos durante o resgate. Havia risco de o fogo se propagar a outros andares, mas as chamas foram controladas e o prédio foi evacuado a tempo. Sueli passou 11 dias internada, enquanto o primo da advogada recebeu alta em novembro, pouco mais de um mês após o incêndio. 

O quadro clínico de Juliane acabou sendo o mais grave. Com 63% do corpo queimado, ela ficou internada no Hospital Universitário do Oeste do Paraná (HUOP), em Cascavel. No dia 17 de outubro, ela chegou a Londrina, em um avião da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa-PR).

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Foto: Reprodução/Redes sociais
Fonte: Portal Terra
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