França e Canadá abrem consulados na Groenlândia em apoio a autonomia do território
A França e o Canadá, que se opõem ao plano dos Estados Unidos de assumir o controle da Groenlândia, inauguraram nesta sexta-feira (6) seus consulados-gerais em Nuuk, capital do território autônomo dinamarquês, em um gesto de reconhecimento ao governo local. Em janeiro, foi concluído um "acordo-quadro" entre o presidente dos EUA e o secretário-geral da Otan sobre o futuro da ilha ártica, cujos detalhes não foram divulgados.
"É uma vitória para os groenlandeses ver dois países aliados inaugurando missões diplomáticas em Nuuk", afirma Jeppe Strandsbjerg, cientista político da Universidade da Groenlândia. "Os groenlandeses apreciam muito esse apoio, diante das declarações de Donald Trump."
Americanos, groenlandeses e dinamarqueses se reúnem em um grupo de trabalho para discutir as bases de um acordo sobre a ilha. O conteúdo do texto e o teor das discussões não foram divulgados.
A Dinamarca e a Groenlândia, que compartilham as preocupações de Donald Trump sobre a segurança no Ártico, recusam qualquer transferência de soberania.
As decisões francesa e canadense de abrir consulados são anteriores às recentes tensões. O Canadá havia indicado no final de 2024 que abriria um consulado-geral no vasto território ártico para fortalecer a cooperação com a Groenlândia.
Consulado simboliza 'importância' de território para a França
Já Paris fez o anúncio em junho, durante uma visita do presidente Emmanuel Macron a Nuuk, onde ele expressou "solidariedade europeia" com a ilha, criticando as tentativas de Donald Trump de anexá-la. Jean-Noël Poirier, ex-embaixador francês no Vietnã, foi nomeado o cônsul-geral na Groenlândia.
Ao abrir um consulado em Nuuk na sexta-feira, a França pretende "ouvir os groenlandeses" e apoiá-los na crise com o governo americano, disse o novo cônsul à AFP. "A primeira coisa a fazer é ouvir os groenlandeses, escutar atentamente o que eles têm a dizer, deixar que expliquem detalhadamente a sua posição e, da nossa parte, confirmar o nosso apoio, tanto quanto eles e o lado dinamarquês desejarem", explicou Jean-Noël Poirier, ao partir para Nuuk.
Esta nova presença francesa na ilha, que representa o interesse do presidente Emmanuel Macron na Groenlândia, é "a confirmação concreta e diária da importância que atribuímos a este território", destacou.
Envolvimento de europeus
A abertura dessas missões diplomáticas permite que França e Canadá sinalizem a Donald Trump que sua agressão contra a Groenlândia e a Dinamarca não é apenas uma questão para estes dois países, mas também para seus aliados europeus e na América do Norte, disse à AFP Ulrik Pram Gad, especialista em Ártico do Instituto Dinamarquês de Estudos Internacionais.
"É um pequeno passo. Faz parte da estratégia para tornar o problema europeu", salientou Christine Nissen, analista do think tank Europa e especialista em questões de segurança e defesa.
Em janeiro, militares franceses participaram de uma missão de reconhecimento na Groenlândia como parte da Operação Arctic Endurance, conduzida pela Dinamarca com outros aliados europeus. "Isso não é específico dos eventos de hoje; já houve escalas regulares antes. Posso simplesmente confirmar que isso continuará", frisou o cônsul francês.
Com AFP