Desafios de transporte e meio ambiente dominam a abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno Milão-Cortina
Os Jogos Olímpicos de Inverno serão abertos oficialmente nesta sexta-feira (6) em Milão, marcando o início de uma edição que mobiliza 3.500 atletas distribuídos em diferentes locais de competição no norte da Itália. Antes mesmo da cerimônia, porém, a logística já desponta como um dos principais desafios apontados pela imprensa francesa, devido às ligações rodoviárias e ferroviárias consideradas complexas.
Segundo o jornal Le Monde, os gastos para a realização das provas chegam a 1,7 bilhão de euros, dentro de um orçamento total estimado em 5,2 bilhões. Apenas a infraestrutura necessária para a produção de neve artificial consumiu mais de 20 milhões de euros, valor criticado por ambientalistas por envolver equipamentos de alto consumo de água e energia.
Com sete locais de competição distribuídos pela região, os Jogos de Milão-Cortina têm sido comparados a um grande "quebra-cabeças", descreve Le Figaro. Além das questões logísticas, o contexto internacional também pesa sobre o evento. A trégua olímpica, que prevê a suspensão de declarações de guerra durante o período das competições, volta ao centro das discussões.
O jornal Libération destaca que esta edição deve figurar entre as mais "respeitosas" ao meio ambiente, uma vez que 92% da infraestrutura utilizada já existia antes dos Jogos. A forte neve acumulada nos últimos dias também contribui para um cenário natural mais favorável às competições — um contraste marcante em relação aos Jogos de Pequim, em 2022, quando grande parte das provas ocorreu sobre neve artificial instalada entre áreas áridas.
Ainda assim, nem todos os preparativos avançaram como previsto. Em Cortina, o novo teleférico destinado ao transporte de espectadores não ficará pronto a tempo das primeiras provas, o que deve exigir ajustes de última hora na circulação do público.