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'Deixamos tudo para trás': moradores abandonam a região ucraniana de Kharkiv sob bombardeios russos

Na Ucrânia, diante dos bombardeios russos, as autoridades ordenaram novas evacuações de civis nas regiões de Donetsk e de Kharkiv. Nesta última, que faz fronteira com a Rússia, sete vilarejos do setor de Borodukhiv, ao noroeste da cidade, estão entre os afetados, e mais de 7.000 pessoas, incluindo mais de 1.300 crianças, receberam ordem para deixar suas casas.

14 jun 2026 - 11h43
(atualizado às 16h55)
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Emmanuelle Chaze, correspondente da RFI na Ucrânia, enviada especial a Kharkiv

Fumaça em igreja após um ataque aéreo em Kharkiv, em 10 de junho de 2026 (imagem ilustrativa).
Fumaça em igreja após um ataque aéreo em Kharkiv, em 10 de junho de 2026 (imagem ilustrativa).
Foto: AFP - SERGEY BOBOK / RFI

Há alguns dias, um centro de acolhimento temporário para pessoas deslocadas em Kharkiv, no leste da Ucrânia, funciona em plena atividade. Diariamente, entre 100 e 150 evacuados chegam ao local em situação de desamparo total.

"Recentemente, observamos um aumento constante no número de pessoas que chegam", relata Yevheniia Kozun, do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados. "Nossos parceiros continuam fornecendo toda a assistência necessária, incluindo apoio psicológico, itens de primeira necessidade, cadastro para auxílio financeiro e ajuda para a reconstituição de documentos", detalha, destacando o caráter essencial dessa assistência diante da vulnerabilidade dos evacuados.

Liudmila Oleksandrivna faz parte dessas pessoas que chegam ao centro em busca de ajuda. Ela e o marido, paraplégico, vêm de Prudyanka, a apenas cinco quilômetros da fronteira russa. Ambos têm cerca de 60 anos e estão entre as 300 pessoas com mobilidade reduzida afetadas pela ordem de evacuação. "Ocorreram ataques à nossa casa. Estávamos prestes a partir", conta.

Desde que chegaram, há alguns dias, Liudmila e o marido aguardam uma vaga em um centro especializado de acolhimento. Eles, que nunca haviam deixado o vilarejo, não têm, por enquanto, nenhuma perspectiva de futuro.

"É pouco provável que venhamos a voltar. Agora, essa é a nossa vida. Não sei como viveremos. Deixamos tudo para trás", desabafa.

'Os russos atiram contra carros civis'

Katia, de 34 anos, e seu filho Sasha, de seis, também chegaram ao centro há poucos dias. Eles vêm de Zolochiv, ao noroeste de Kharkiv. "Partimos no domingo passado porque ficou impossível viver lá. Sou mãe de uma criança, e drones sobrevoam a área, destruindo casas, áreas de lazer e carros. Não temos escolha: as crianças ficam ou confinadas em casa, ou nos abrigos", explica.

Funcionária de uma loja de materiais de construção, Katia, cujos pais se recusaram a deixar a casa da família, hesitou por muito tempo antes de partir. "Mesmo que se tenha um carro e se queira sair, é impossível chegar a Kharkiv pela estrada: os russos atiram contra carros civis", relata.

Apesar da ameaça, Katia decidiu tentar a fuga e dirigiu a alta velocidade até Kharkiv. Como milhares de outras famílias ucranianas deslocadas, ela e Sasha precisam recomeçar do zero: sem trabalho, escola, moradia e longe da família, que permaneceu à mercê dos bombardeios.

Mais de quatro anos depois do início da invasão russa na Ucrânia, os comunicados do Ministério da Defesa de Moscou sobre a tomada de vilarejos e localidades ucranianas tornaram-se menos frequentes. Em algumas áreas, as forças ucranianas conseguiram retomar o controle. Contudo, para os moradores das regiões atingidas, a precariedade permanece uma realidade palpável.

A Rússia ocupa 20% do território do país vizinho, incluindo a península da Crimeia, que anexou em 2014, a maior parte de Donetsk e Luhansk e grande parte das regiões de Zaporizhzhia e Kherson, ao sul. O Kremlin reivindica as cinco regiões como parte do país, após referendos organizados às pressas e que a comunidade internacional considera ilegítimos.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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