Bombardeios israelenses deixam ao menos 12 mortos na Faixa de Gaza
Ataques aéreos israelenses mataram ao menos 12 pessoas na manhã deste domingo (15) na Faixa de Gaza, informou a Defesa Civil do enclave. O exército de Israel alegou ter respondido a uma "violação flagrante" do cessar-fogo pelo movimento islâmico palestino Hamas na parte norte do território.
De acordo com a Defesa Civil, que opera sob a autoridade do Hamas, um dos ataques atingiu uma tenda que abrigava pessoas deslocadas na área de Jabalia, no norte de Gaza, ao amanhecer, deixando cinco pessoas mortas.
Mais cinco pessoas morreram e várias ficaram feridas em outra ofensiva durante a madrugada na cidade de Khan Yúnis, no sul do território. Ainda segundo a Defesa Civil, uma pessoa perdeu a vida em um bombardeio na Cidade de Gaza e outra foi morta por tiros disparados pelas forças israelenses em Beit Lahia, no norte.
Essas violências são registradas apesar de um cessar-fogo entre Israel e Hamas, em vigor oficialmente desde 10 de outubro de 2025. Entretanto, os limites deste compromisso vêm sendo constantemente ameaçados por acusações dos dois lados,perpetuando as mortes e o clima de tensão em Gaza.
"Israel não entende o que é um cessar-fogo. Estamos vivendo sob uma trégua há meses, mas eles continuam nos atacando, dizendo uma coisa e fazendo outra", disse Ossama Abu Askar, que perdeu um sobrinho na ofensiva..
Ele relatou que civis foram mortos "enquanto dormiam na rua", pela manhã, no campo de refugiados de Jabalia. Em Khan Yúnis, dezenas de palestinos se reuniram no Hospital Nasser para velar os corpos de seus parentes.
Acusações mútuas
Israel alegou ter realizado ataques aéreos após identificar "vários terroristas armados abrigados sob escombros" perto dos seus soldados, "provavelmente após saírem de instalações subterrâneas", na área de Beit Hanoun (norte).
O exército do Estado hebreu acrescentou que esses homens haviam cruzado a chamada "linha amarela", que marca a área ainda ocupada por soldados israelenses desde a entrada em vigor do cessar-fogo.
O porta-voz do Hamas, Hazem Qassem, também acusou o exército de desrespeitar a trégua. "Atacar pessoas deslocadas em suas tendas é uma grave violação do acordo de cessar-fogo", disse ele em um comunicado.
Os Estados Unidos anunciaram em meados de janeiro a transição para a segunda fase do plano do presidente Donald Trump para encerrar definitivamente a guerra em Gaza. Esta nova etapa prevê a retirada gradual de Israel do território palestino, o desarmamento do Hamas e o envio de uma força internacional de estabilização.
Mas, embora tenha concordado em renunciar à governança futura do enclave, o movimento islâmico, que está no poder em Gaza desde 2007, recusa-se categoricamente a depor as armas sob as condições impostas por Israel. O exército israelense ainda controla mais da metade da Faixa de Gaza, enquanto ambos os lados se acusam diariamente de violar o cessar-fogo.
Um total de 601 palestinos foram mortos desde o início da trégua, de acordo com o Ministério da Saúde de Gaza, que está sob controle do Hamas e cujos números são considerados confiáveis pela ONU. No mesmo período, o exército israelense relatou a morte de quatro soldados.
Com AFP