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Tratamento para coronavírus: 'pista' imunológica traz esperança na luta contra a covid-19

Cientistas constataram que aqueles que desenvolvem forma mais grave da doença têm números extremamente baixos de uma célula imune chamada célula T.

22 mai 2020
10h38 atualizado às 10h41
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10h38 atualizado às 10h41
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Cientistas constataram que aqueles que desenvolvem forma mais grave da doença têm números extremamente baixos de uma célula imune chamada célula T
Cientistas constataram que aqueles que desenvolvem forma mais grave da doença têm números extremamente baixos de uma célula imune chamada célula T
Foto: Getty Images / BBC News Brasil

Cientistas do Reino Unido devem começar a testar um tratamento que, segundo esperam, possa combater os efeitos da covid-19 nos pacientes mais graves.

Eles constataram que aqueles que desenvolvem a forma mais grave da doença têm números extremamente baixos de uma célula imune chamada célula T.

As células T "limpam" a infecção do corpo.

O ensaio clínico avaliará se um medicamento chamado interleucina 7, conhecido por aumentar o número de células T, pode ajudar na recuperação dos pacientes.

O estudo envolve cientistas do Instituto Francis Crick, King's College London e do hospital Guy's e St Thomas'. Eles examinaram as células imunes no sangue de 60 pacientes de covid-19 e encontraram uma aparente queda no número de células T.

Adrian Hayday, do Instituto Crick, disse que foi uma "grande surpresa" ver o que estava acontecendo com as células imunológicas.

"Elas estão tentando nos proteger, mas o vírus parece estar fazendo algo que está puxando o tapete delas, porque seus números diminuíram drasticamente."

Em uma gota de sangue de microlitro (0,001 ml), adultos saudáveis normais têm entre 2 mil e 4 mil células T, também chamadas linfócitos T.

Os pacientes de covid-19 que a equipe testou tinham entre 200 e 1,2 mil.

'Extremamente encorajador'

Os pesquisadores dizem que essas descobertas abrem caminho para que eles desenvolvam um "teste de impressão digital" para verificar os níveis de células T no sangue, o que poderia fornecer indicações precoces de quem poderia desenvolver doenças mais graves.

Mas também oferece a possibilidade de um tratamento específico para reverter esse declínio das células imunológicas.

Manu Shankar-Hari, médico de cuidados intensivos do hospital Guy's e St Thomas', em Londres, disse que cerca de 70% dos pacientes que observa em terapia intensiva com covid-19 chegam com 400 a 800 linfócitos por microlitro.

"Quando eles começam a se recuperar, o nível de linfócitos também começa a voltar", acrescenta.

A interleucina 7 já foi testada em um pequeno grupo de pacientes com sepse e comprovou aumentar com segurança a produção dessas células específicas.

Nesse estudo, ela será administrada a pacientes com baixa contagem de linfócitos em tratamento intensivo por mais de três dias.

Shankar-Hari disse: "Esperamos que [quando aumentarmos a contagem de células] as infecções virais sejam eliminadas.

"Como médico intensivista, eu cuido dos pacientes que estão extremamente mal e, além dos cuidados de suporte, não temos nenhum tratamento ativo direto contra a doença".

"Portanto, um tratamento como esse no contexto de um ensaio clínico é extremamente encorajador para médicos de cuidados intensivos em todo o Reino Unido".

A pesquisa também forneceu informações sobre as formas específicas pelas quais a covid-19 interage com o sistema imunológico, o que, segundo Hayday, será vital à medida que cientistas de todo o mundo procuram informações clinicamente valiosas.

"O vírus que causou essa emergência no planeta é único — e diferente. É algo sem precedentes."

"A razão exata para essa interrupção — a chave nos trabalhos do sistema de células T — não está clara para nós.

"Este vírus está realmente fazendo algo distinto e pesquisas futuras - que começaremos imediatamente — precisam descobrir o mecanismo pelo qual ele está causando esses efeitos."

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