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"Se fosse no Nordeste": definitivamente não é o momento de fazer comparações com o RS

Maioria das pessoas atingidas pela chuva são pobres e essas são vítimas como nós

10 mai 2024 - 14h51
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Enchentes atingem diversas cidades do Rio Grande do Sul e não é o momento de questionamentos que envolvem questão racial e xenofobia
Enchentes atingem diversas cidades do Rio Grande do Sul e não é o momento de questionamentos que envolvem questão racial e xenofobia
Foto: Ricardo Stuckert | @Instagram

Durante essa semana, diante de tantas notícias sobre a tragédia das enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul, muita coisa foi dita na internet e, para ser bem sincero, acredito que muitas delas têm uma parcela de coesão. Contudo, será mesmo que é esse o momento certo para determinadas reflexões? Eu vi gente dizendo que se as enchentes tivessem acontecido no Nordeste, estariam mandando a gente fazer o "L", o que tem lá sua verdade.

Vi também outras pessoas falando que o Norte e o Nordeste não teriam metade dessa mídia, o que provavelmente é verdade também. Porém, levantar esses pontos que envolvem questões raciais e xenofobia enquanto as pessoas estão morrendo afogadas é de péssimo gosto - e até um tanto sádico.

O Rio Grande do Sul é o segundo estado mais branco do Brasil, mas também é o estado com maior quantidade de terreiros. Se você não viu, teve até uma mulher tentando colocar a culpa do desastre nos terreiros de, como ela disse, "macumba".

Você sabia que, em 2022, um estudo da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul mostrou que quase 20% da população do estado é negra e que 30% dessas pessoas estão entre as mais pobres? Sabia que a taxa de extrema pobreza é quase o dobro entre pretos e pardos? Isso somado ao fato de que pessoas mais pobres são, em grande parte das vezes, a maioria dos afetados pelos desastres climáticos, vocês acham mesmo que não tem negros e negras precisando de ajuda?

O que é racismo ambiental? O que é racismo ambiental?

E eu não sou daqueles que acham que ódio se combate com amor, nem que devemos dar os dois lados da face. Não acredito nesses papos romantizados,não. Não mesmo! Mas não dá para fingir que não tem gente morrendo, que não tem gente sem abrigo, sem água, sem saneamento básico e sem outras coisas fundamentais da nossa vida.

Não dá para generalizar nesse momento. Isso não é uma discussão de twitter ou um papo de bar. São vidas em jogo, e, mesmo sem ser cristão, a vida das pessoas, para mim, tem valor. Vou trazer um dado aqui que, na verdade, acho que nem deveria precisar, mas só para informação: 43,65% das pessoas no Rio Grande do Sul escolheram Lula para presidente.

Nunca se esqueçam que a escassez agrava muito os preconceitos. Tem mulheres sofrendo abuso sexual nos abrigos, tem mulheres buscando construir abrigos apenas para outras mulheres e crianças, tem gente tomando tiro da policia por tentar entrar em mercados alagados em busca de comida. Tem várias coisas acontecendo nesse cenário catastrófico que só irá piorar com um possível descaso.

Quem puder ajudar, ajude. Roupa, alimento, água, dinheiro tudo nesse momento é bem-vindo. Deixa para cobrar certas coisas depois que as pessoas estiverem seguras e com o mínimo de dignidade. Quer questionar e “bater em alguém”? Vamos atrás dos parlamentares que cortam gastos com meio ambiente e pesquisas do clima. Vamos procurar saber por que alguns políticos ignoram relatórios de medidas de prevenção a tragédias climáticas e, sobretudo nesse campo virtual, vamos atrás de quem está engajando com a tragédia no Sul.

O momento agora é de tentar salvar vidas, até porque, do jeito que a destruição do meio ambiente caminha, ninguém está isento de passar pelas mesmas coisas.

Fonte: Redação Nós
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