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Opinião: o racismo não acaba ele dá um tempo

A questão racial só obteve um mínimo de atenção enquanto era rentável

2 jan 2026 - 16h47
(atualizado às 16h49)
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Neste 2026 é necessário que a gente traga para o consciente coletivo o fato de que a questão racial que foi tão aclamada durante 2020 vem a cada dia perdendo força. A morte de George Floyd nos EUA gerou mais impacto no brasil do que a notícia que morria um jovem negro a cada 23 minutos. Isso fala sobre as nossas percepções sobre dores. Como um homem preto dos estados unidos gera mais comoção nacional do que milhares de homens negros mortos sistematicamente no nosso pais? Isso tem muito a ver com o papel da publicidade, propaganda e a capacidade de engajamento em determinado tipo de assunto.

A discussão sobre o racial em território nacional, infelizmente, não foi promovida pela educação e o entendimento do impacto da escravização africana no Brasil. Tão pouco ocorreu depois das pessoas lerem autores como Milton Santos e Lélia Gonzalez. Se deu de maneira importada que só teve notoriedade porque viram possibilidade de rentabilizar a morte do homem negro. O nome George Floyd em dado momento era certeza de engajamento e interesse, logo fez com que os donos dos meios de produção vislumbrassem a possibilidade de fazer dinheiro com isso.

Em um certo momento ser antirracista se transformou em carteirinha de caráter. Logo ter um núcleo dentro da empresa para equilibrar a quantidade de funcionários negros nos espaços de chefia nunca foi um projeto sólido, e sim um marketing social muito mal aplicado. A intenção era fazer você achar que havia um trabalho sendo feito a este respeito e não, em muitos casos, de fato solucionar o abismo racial dentro das empresas. Dá até para pensar que o objetivo era parecer ser.

Com isso não quero dizer que não foi importante que essa mazela de séculos ganhasse os holofotes, o que digo é que falta uma pavimentação bem feita para que as mudanças sobre o racismo no Brasil tenham ganhos sólidos e duradouros. Caso contrário, em grande escala, será só mais uma causa que o capitalismo irá se apossar e gozar enquanto ser rentável. Viveremos um loop eterno onde de tempos em tempos a questão racial irá ser devidamente abordada. Ficar refém dos interesses dos mesmos que não tem a menor vontade de acabar com a desigualdade me parece um equívoco grave. Até pelo fato de mexer no bolso dos ricos ser a maneira mais efetiva de mitigar o racismo no Brasil.

Dito isso é muito interessante observar que algumas empresas de fato se atentaram para o abismo racial e mantém até hoje projetos focados nessa equidade de pessoal. Todavia não devemos nos deixar iludir por modinha promovida pelo capital e deixar que nossas dores sejam esquecidas, lembradas sazonalmente e só discutidas enquanto deixam pessoas brancas ainda mais ricas. O debate racial, como todos os outros de cunho social, tem que ser das ruas para a burguesia e não o contrário. Caso não ocorra o que teremos é poucos avanços e pensar que migalha é suficiente.

Fonte: Luã Andrade Luã Andrade é criador de conteúdo digital na página do Instagram @escurecendofatos. Formado em comunicação social e membro da APNB. Luã discute questões étnico raciais e acredita que o racismo deva ser debatido em todas as esferas da sociedade. As opiniões do colunista não representam a visão do Terra.
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