George Russell assume favoritismo e mira o título mundial em 2026
Entenda por que o novo regulamento de 2026 transformou a Mercedes na equipe a ser batida e George Russell no herdeiro legítimo do trono da Fórmula 1
Será que o gigante adormecido finalmente despertou? Após quatro temporadas de frustrações, o otimismo voltou a tomar conta de Brackley. Com a chegada do novo regulamento técnico e de unidades de potência em 2026, a Mercedes parece ter reencontrado o seu "norte", e George Russell surge como o grande protagonista dessa nova era.
O que se viu nos testes de Barcelona e nos bastidores de Brackley não é apenas um otimismo cauteloso, mas sim a pavimentação de um novo império onde o britânico é o herdeiro legítimo do trono. Russell, em sua oitava temporada na categoria, não apenas se declara pronto para o título mundial, como carrega consigo a chancela de ser o favorito absoluto das casas de apostas.
A base dessa confiança reside no W17, um carro que parece ter exorcizado todos os fantasmas da era do efeito solo. Russell destacou que a ausência do famigerado porpoising e a agilidade em curvas de baixa velocidade transformaram a experiência de condução, oferecendo uma plataforma estável para explorar as complexidades da nova unidade de potência.
Para um piloto como o britânico, o novo regulamento, que exige uma gestão refinada de energia, sistemas de boost e aerodinâmica ativa, é o cenário perfeito para se sobressair. Ele se vê em vantagem competitiva justamente onde a inteligência técnica se encontra com a velocidade pura, sentindo-se confiante para atacar cada volta desde o primeiro momento, algo impensável nos anos anteriores.
Enquanto rivais como a Red Bull enfrentam o escrutínio sobre a eficácia de suas novas unidades de potência e a McLaren tenta equilibrar as expectativas, a Mercedes joga com o peso de sua história. O time tem um histórico impecável de entregar motores líderes de pelotão em todas as grandes mudanças de regulamento, e os sinais vindos de Barcelona indicam que 2026 não será exceção.
Toto Wolff, sempre conhecido por seu pragmatismo, não pôde ignorar o fato de que o mercado e os especialistas já colocam Russell como o homem a ser batido. "É sempre bom quando seu piloto é o favorito nas casas de apostas, e acho que ele merece isso porque é um dos melhores", admitiu o chefão da Mercedes.
Russell assume posto de líder da equipe logo de cara, já que o jovem Kimi Antonelli entra em sua segunda temporada ainda sob a sombra do aprendizado. Desse modo, o britânico assume a responsabilidade de ser o "benchmark", uma posição que o próprio companheiro reconhece. "O George é muito, muito forte e definitivamente está pronto para lutar por um campeonato. Ele é uma das referências no grid", confessou o italiano.
"Estou honestamente muito animado, porque é um desafio enorme se adaptar a esses novos carros... Há muitas coisas que precisamos aprender muito rapidamente, mas sinto que posso tirar vantagem disso", ressaltou Russell. Mais do que isso, o alívio de pilotar um carro previsível é evidente.
O britânico revelou que a Mercedes saiu de Barcelona com um sentimento extremamente positivo, pois "os números que estamos vendo na aerodinâmica do carro batem com o que vemos no simulador. Isso é algo que não experimentamos como equipe desde 2021". É essa correlação que permite ao time de Brackley parar de "apagar incêndios" e focar exclusivamente em extrair décimos de segundo.
Confronto com Verstappen e Aston Martin "surpreendente"
Ao ser questionado sobre um possível duelo pelo título contra o tetracampeão Max Verstappen, Russell foi categórico: "Eu adoraria que as coisas acontecessem dessa forma. Eu quero ir para o corpo a corpo com o Max".
Ele entende que a Red Bull sempre teve um carro excepcional, mas sugere que a força da unidade de potência da Mercedes pode ser o fator de desequilíbrio desta vez. "Se você vai vencer, você quer ter lutado por isso e vencido de forma justa na pista", pontuou.
Analisando o grid de 2026, Russell aponta que a competitividade atingiu níveis históricos e não ignora a sombra de Adrian Newey, agora vestindo verde. "Acho que, no momento, parece que Red Bull, McLaren, Ferrari e nós somos as quatro equipes que estão todas bem próximas, mas você não pode descartar o que temos visto da Aston Martin", alertou.
Para o britânico, o toque de Midas de Newey já é visível. "O que o Adrian fez com aquele carro parece bem espetacular, e a Honda, nos últimos anos com a Red Bull, teve um motor muito bom. Então, também sabemos do que eles são capazes". Russell revelou que, durante o shakedown em Barcelona, um detalhe específico chamou sua atenção:
"A Aston Martin foi provavelmente o maior destaque em termos de design. Acho que todos estavam olhando para aquela suspensão traseira que, visualmente parece muito impressionante". No entanto, ele mantém os pés no chão e os olhos mirando no cronômetro. "Não é uma competição de quão 'sexy' o carro é - é uma competição de quão rápido ele anda na pista".
Com uma unidade de potência que promete ser novamente a referência da categoria e um chassi que Russell descreveu com alívio ("citando o Toto, não parece que o carro é uma m*, o que já é um bônus"), a Mercedes entra em 2026 não apenas para competir. O time de Brackley pretende retomar seu lugar de direito no topo do pódio mundial, tendo em George Russell a ponta de lança perfeita para essa nova era das Flechas de Prata.