Donos do elétrico Volvo EX30 precisarão supervisionar recarga por risco de incêndio
Agência do Reino Unido recomendou aos proprietários não carregar o SUV elétrico em ambientes fechados ou cobertos sem supervisão. Problema provocou recall mundial e deixa clientes insatisfeitos no Brasil
Já imaginou ter que observar o seu carro elétrico carregando para garantir que ele não pegue fogo? Sim, é praticamente isso que donos do Volvo EX30 no Reino Unido terão de fazer.
O recall global envolvendo um potencial incêndio no modelo EX30 teve um novo capítulo. Agora é a Driver and Vehicle Standards Agency (DVSA), agência governamental reguladora da segurança rodoviária no Reino Unido, que faz uma recomendação aos proprietários: não carregar o SUV elétrico em ambientes fechados ou cobertos sem supervisão.
O Jornal do Carro procurou a Volvo para esclarecimento sobre esse novo desdobramento e a marca destacou que a medida adotada no Reino Unido tem validade local e não se aplica ao Brasil.
Por aqui, segue valendo a restrição já anunciada: o carro só pode ser recarregado até 70% da capacidade da bateria. A medida envolve 5,6 mil unidades do EX30 envolvidas na campanha de recall que a marca fez no Brasil.
Redução da autonomia frustra consumidores
Na prática, ainda que provisória, a solução indicada pela Volvo de restringir a recarga do EX30 acaba por reduzir a autonomia do SUV, já que o modelo vai rodar com menos energia armazenada. E quem não fica nada feliz com isso são os clientes da marca.
Nossa reportagem entrevistou um proprietário do Volvo EX30 Ultra, versão topo de linha equipado com a bateria de maior alcance com capacidade de 69 kWh e autonomia de 338 km, segundo o Inmetro. Atualmente, o carro tem preço sugerido de R$ 299.950 - na prática, nada módicos R$ 300 mil.
"Estava fora do país quando recebi o e-mail convocando para o recall e fiquei preocupado em acontecer algo com o meu carro no Brasil que estava com 73% de bateria naquela ocasião", diz o dono do modelo, que preferiu não ser identificado.
"Não é confortável investir R$ 250.000 em um carro que não pode ser utilizado com o máximo de autonomia e ainda pode perder valor de mercado. Eu aguardo uma solução rápida pra essa questão e, se não tiver, irei entrar com uma ação judicial para preservar os meus direitos de consumidor", conclui.
Em novembro do ano passado, um exemplar do SUV pegou fogo dentro de uma concessionária em Maceió (AL). De acordo com autoridades locais, foram necessários 11 bombeiros para controlar a situação e apagar as chamas do veículo que ficou totalmente destruído.
No Reclame Aqui, há vários relatos de clientes frustrados com a situação do Volvo EX30. Alguns sinalizam decepção com a marca, que tem o posicionamento de forte compromisso com a segurança de seus carros. Outros, se dizem decepcionados com a redução da autonomia do veículo por causa do problema.
Bateria do EX30 causa briga judicial entre Volvo e Sunwoda Electronic
Foram fabricadas globalmente 33.777 unidades do EX30 com as células de bateria da Sunwoda Electronic. Por causa do defeito no componente mais caro de qualquer carro elétrico, o Grupo Geely, proprietário da Volvo entrou com um processo contra a fornecedora na China.
A Geely afirma que as células de bateria fornecidas pela empresa entre junho de 2021 e dezembro de 2023 apresentaram problemas de qualidade, o que resultou em perdas financeiras substanciais. O valor da causa é de US$ 323 milhões - quase R$ 2 bilhões na conversão atual.
A briga judicial também reporta casos em outubro de 2024 quando proprietários de Zeekr 001 (a chinesa também pertence ao grupo Geely) precisaram retornar às concessionárias para verificar e substituir as baterias que utilizavam células da Sunwoda justamente por problemas de qualidade e potenciais riscos de incêndio.
A Sunwoda Electronic é a sexta maior empresa de baterias da China e fornece componentes para diversas marcas, como Li Auto, Xpeng e Leapmotor.