SUVs híbridos entram no radar e pressionam Corolla Cross e Compass
Com mais opções e preços mais próximos do flex, híbridos começam a mudar a lógica de compra nos SUVs médios
Durante anos, Jeep Compass e Toyota Corolla Cross foram as escolhas automáticas no segmento de SUVs médios. Mesmo com tentativas de eletrificação, nenhum deles conseguiu transformar o híbrido em opção dominante. Agora, os líderes da categoria C-SUV são ameaçados por novas opções de carros híbridos plenos não plugáveis, que são mais práticos do que os plug-in.
O que muda agora não é a tecnologia em si, mas a forma como ela passa a ser oferecida ao consumidor brasileiro. O Corolla Cross foi pioneiro ao adotar o híbrido flex em 2020, mas sempre tratou essa versão como produto de imagem. Cara e restrita, nunca ultrapassou uma parcela limitada do mix (30%).
Já o Compass seguiu outro caminho e foi vítima de um erro da Jeep na leitura do mercado. A aposta em um híbrido plug-in simples, caríssimo e com baixa autonomia elétrico não combinou com a realidade brasileira. O Compass 4xe não só fracassou em volume como quase comprometeu a imagem do modelo, afastando esses novos consumidores.
A virada recente vem dos híbridos não plugáveis. Eles dispensam tomada, não exigem mudança de hábito e entregam ganhos claros no uso urbano, onde o trânsito pesado pesa na decisão de compra. Não prometem revolução tecnológica. Os chamados híbridos "plenos" (HEV) oferecem conveniência e previsibilidade, dois atributos centrais para esse consumidor.
Hoje, a oferta ainda é pequena, mas já suficiente para mudar o jogo. O GAC GS4 Hybrid custa R$ 192.000, o Hyundai Kona Hybrid sai por R$ 215.600 e o Haval H6 H2 chega a R$ 223.000. São modelos que passam a disputar diretamente o mesmo público de Toyota Corolla Cross e Jeep Compass, com uma proposta mais atualizada de eficiência.
A própria Toyota ajustou sua estratégia. Com o Yaris Cross Hybrid por R$ 172.400, a marca finalmente posiciona o híbrido como escolha normal, bem abaixo do Corolla Cross Hybrid, que custa R$ 219.900. Agora sim passa a visar volume. O híbrido flex deixa de ser exceção cara e passa a ser alternativa viável dentro da linha Toyota 2026.
Nesse novo cenário, o líder Compass é o vulnerável, pois segue sem opção híbrida, com preços entre R$ 175.000 e R$ 274.300, enquanto os concorrentes ampliam o leque de escolhas. O híbrido ainda não domina o segmento, mas deixou de ser promessa distante no Brasil. Aos poucos, começa a ocupar um espaço que os líderes tradicionais dos SUVs médios nunca conseguiram preencher sozinhos.