Bateria de sódio vai baixar em até 30% o custo do carro elétrico popular
O sódio (encontrado no sal de cozinha) é cerca de 80 vezes mais barato que o lítio. Isso pode reduzir o custo final de um carro elétrico
Várias postagens do TikTok estão prometendo carros elétricos rodando uma semana com apenas uma carga de bateria. O segredo: a bateria é de sódio. Não será tanto como se diz no TikTok, mas a tecnologia é real. O sódio é mais de 1.000 vezes mais abundante na crosta terrestre do que o lítio, com custos de extração que representam apenas 20% os custos do lítio. O "ouro branco" está com os dias contados?
Sódio está em todo lugar e vai popularizar os EVs
Enquanto o mercado automotivo global briga por reservas de lítio, uma revolução silenciosa feita com um dos elementos mais abundantes do planeta – o sódio – promete derrubar o preço dos carros elétricos e mudar as regras do jogo. Para mercados de baixa renda, como o Brasil, isso é fundamental para a popularização dos EVs.
Os quatro principais problemas do lítio
Até hoje, o custo das baterias de íon-lítio é o maior entrave para o carro elétrico "popular". O lítio é caro, difícil de minerar e sua cadeia de suprimentos é instável. É aqui que entra a bateria de íon-sódio. Mas, por que o sódio é o "pulo do gato" para o consumidor?
Redução drástica de custo: O sódio (encontrado até no sal de cozinha) é cerca de 80 vezes mais barato que o lítio. Isso pode reduzir o custo final de um carro elétrico em até 20% a 30%.
Segurança em primeiro lugar: Elas são quimicamente mais estáveis. O risco de "fuga térmica" (incêndios espontâneos) é praticamente nulo em comparação às baterias atuais.
Performance no frio (e no calor brasileiro): Diferentemente do lítio, que perde eficiência em temperaturas extremas, o sódio mantém o desempenho, o que é vital para a durabilidade em países tropicais.
Recarga ultra-rápida: Modelos de sódio da CATL já demonstram capacidade de carregar de 0% a 80% em apenas 15 minutos.
É o fim das baterias de lítio?
Não exatamente. A densidade energética do sódio ainda é menor. Isso significa que as baterias de sódio são ideais para carros urbanos e de entrada (como o sucessor do BYD Dolphin Mini ou o Renault Kwid E-Tech), nos quais o preço baixo importa mais do que uma autonomia de 700 km. Para viagens longas e carros de luxo, o lítio (ou a bateria de estado sólido) continuará reinando.
Quem já está na frente?
Gigantes como as chinesas BYD e CATL (que fornece baterias para Tesla e Apple) já iniciaram a produção em massa. Nos últimos dois anos, os primeiros carros compactos com essa tecnologia começaram a sair das linhas de montagem na China. A expectativa é que, em 2026, essa tecnologia chegue em escala global, forçando a queda de preços inclusive dos modelos a combustão.
Na última quinta-feira, 22, a CATL revelou que iniciouy a produição em massa de sua bateria de íon-sódio de 45 kWh. Ela possui uma densidade de energia de 175 Wh/kg e uma vida útil superior a 10.000 ciclos. É a primeira bateria do mundo a receber certificação segundo a nova norma da China e foi projetada para alimentar vans pequenas e microvans, além de caminhões leves.