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Berlinale, o 'festival mais político do mundo', tenta conter polêmica após declarações de Wim Wenders

A direção do Festival de Cinema de Berlim tentou neste domingo (15) encerrar a polêmica sobre cineastas que se recusariam a expressar opiniões políticas, assunto que marcou os primeiros dias do evento. A reação da Berlinale é uma resposta às declarações do presidente do júri, o diretor alemão Wim Wenders, que pediu que o festival ficasse alheio a temas políticos, apesar da tradição de engajamento histórico do evento.

15 fev 2026 - 16h11
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Silvano Mendes, enviado especial da RFI a Berlim

Os artistas "são livres de exercer seu direito à liberdade de expressão da maneira como decidirem", declarou a diretora do festival, Tricia Tuttle, em um comunicado enviado tarde da noite de sábado (14) à imprensa. Não se deve esperar deles "que se expressem sobre cada assunto político que lhes é apresentado, a menos que queiram", prosseguiu a norte-americana.

O início da Berlinale foi marcado por uma polêmica após as declarações do presidente do júri, o diretor alemão Wim Wenders, conclamando a "ficar fora da política". Segundo ele, os cineastas devem "fazer o trabalho das pessoas, não o dos políticos", do qual o cinema deve ser um contrapeso.

O diretor de 80 anos reagia a uma pergunta sobre o fato de a Berlinale não ter se posicionado claramente para condenar as ações de Israel em Gaza, ao contrário da edição de 2024, quando vários cineastas criticaram as represálias israelenses.

"Nós não pensamos que haja um único cineasta selecionado neste festival que seja indiferente ao que acontece no mundo, que não leve a sério os direitos, as vidas e o imenso sofrimento das pessoas em Gaza e na Cisjordânia, na República Democrática do Congo, no Sudão, no Irã, na Ucrânia, em Minneapolis, e em um número aterrador de lugares", declarou Tricia Tuttle.

"Os diretores se expressam por meio de seu trabalho"

"Os diretores se expressam constantemente. Eles se expressam por meio de seu trabalho. Eles falam sobre o seu trabalho. Eles falam, às vezes, de geopolítica em relação ou não com seus filmes", completou a diretora, que está no cargo há duas edições.

"Em um ambiente midiático dominado por crises, não sobra muito oxigênio para uma verdadeira conversa em torno do cinema ou da cultura, a menos que ela também possa se integrar à atualidade", observa.

A declaração de Wim Wenders gerou controvérsia, levando ao recuo da escritora indiana Arundhati Roy. Ela deveria apresentar uma versão restaurada de um filme que escreveu em 1989, "In Which Annie Gives It Those Ones".

Tradição política da Berlinale

A Berlinale é amplamente reconhecida por seu engajamento político, reputação que remonta às suas origens na Berlim Ocidental, em 1951, e que se consolidou ao longo de décadas de debates e controvérsias em torno de temas sociais e geopolíticos.

Criado como iniciativa dos aliados para apresentar a cidade como vitrine do Ocidente no pós-guerra, o festival exibiu, já em sua primeira edição, "Rebecca", de Alfred Hitchcock, obra proibida pelo regime nazista quando estreou, em 1940. Ao longo de sua história recente, a Berlinale também incorporou pautas como a crise dos refugiados e o movimento #MeToo, reforçando sua imagem como um dos festivais de cinema mais políticos do mundo.

Esse perfil se reflete em iniciativas e prêmios do evento, entre eles o da Anistia Internacional e o Teddy Awards, o primeiro prêmio internacional dedicado a filmes de temática LGBTQIA+, que celebra 40 anos nesta edição e é visto como um símbolo de uma Berlinale que integra diversidade e posicionamento público ao seu DNA.

Nesta edição de 2026, essa dimensão política voltou a aparecer nas coletivas iniciais, indo além da questão palestina. No encontro com a imprensa de "Rosebush Pruning", de Karim Aïnouz, as primeiras perguntas tiveram tom político, incluindo indagações sobre a situação nos Estados Unidos e sua "recente ofensiva anti-imigrantes" - contexto associado ao governo Trump - antes mesmo de temas estritamente estéticos ou de produção.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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