UE adia acordo comercial com EUA por tensão na Groenlândia

20 jan 2026 - 19h11

Trump ameaçou europeus com tarifas em meio a escalada de disputa por controle da ilha no Ártico. Europeus querem assustar empresariado americano enquanto avaliam próximos passos.Parlamentares da União Europeia (UE) concordaram nesta terça-feira (20/01) em adiar a ratificação de um acordo comercial com os Estados Unidos após o presidente Donald Trump ameaçar impor tarifas por causa da Groenlândia.

Ameaças de Trump sobre Groenlândia e tarifas provocam tensão na relação com aliados europeus
Ameaças de Trump sobre Groenlândia e tarifas provocam tensão na relação com aliados europeus
Foto: DW / Deutsche Welle

O bloco europeu avalia quão duramente deve reagir caso Trump siga adiante com as ameaças comerciais. Elas se somam ao seu tom cada vez mais incisivo sobre a ilha do Ártico, um território autônomo da Dinamarca sob proteção da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

Publicidade

O adiamento não significa o fim do acordo, firmado em julho com Trump após meses da guerra comercial travada pelo republicano, quando os EUA impuseram tarifas de 15% sobre produtos da UE. O Parlamento Europeu planejava votar nas próximas semanas a remoção de tarifas sobre bens industriais dos EUA, como parte do acordo.

A União Europeia declarou, também nesta terça-feira, que as novas tarifas planejadas por Trump devido à Groenlândia são um "erro" e questionou a confiabilidade de Trump.

Opções sobre a mesa

A suspensão da aprovação envia um sinal de descontentamento à Casa Branca, num momento em que os aliados europeus da Otan estão com o alerta ligado. Para parlamentares da UE, o recado deverá gerar apreensão no empresariado americano.

Publicidade

"É uma alavanca extremamente poderosa. Não acho que as empresas concordariam em renunciar ao mercado europeu", disse Valérie Hayer, presidente do grupo centrista Renovar a Europa no Parlamento Europeu.

Trump ameaçou atingir seis países da UE, incluindo as potências França e Alemanha, com tarifas por não aceitarem que os EUA "adquiram" a Groenlândia.

O bloco está avaliando diferentes respostas caso Trump não recue, incluindo colocar o acordo comercial do ano passado em espera e atingir os Estados Unidos com 93 bilhões de euros em tarifas.

O pacote de tarifas retaliatórias foi acordado no auge do impasse comercial entre UE e EUA no ano passado, mas acabou sendo suspenso até 6 de fevereiro para evitar uma guerra comercial total.

Macron quer "bazuca" comercial

Além disso, o presidente da França, Emmanuel Macron, pressiona para acionar o potente instrumento comercial anticoerção do bloco, conhecido como "bazuca", a fim de impedir que as empresas americanas acessem os mercados europeus "pela primeira vez".

Publicidade

Não é hora de "novo imperialismo ou novo colonialismo", disse Macron ao discursar em Davos na Suíça nesta terça-feira. "Não aceitemos uma ordem global que seja decidida por aqueles que afirmam ter, eu diria, a voz mais alta ou o porrete maior."

Trump se orgulha de aumentar ao máximo a pressão para tentar negociar a partir de uma posição de força. Em vez de disputas comerciais, países aliados deveriam estar focados em levar paz à Ucrânia e enfrentar os desafios globais de "crescimento, paz, clima", afirmou ainda Macron.

Dinamarca: "Pior pode estar por vir"

Já o primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, disse considerar improvável uma ação militar dos EUA contra seu território, mas que não descarta completamente essa possibilidade.

"É improvável que usem força militar, mas não está descartado também, o outro lado [EUA] deixou isso claro", afirmou. "Portanto, precisamos estar preparados para todas as possibilidades. Mas enfatizamos que a Groenlândia é parte da Otan, e que se houver uma escalada, também terá consequências para o mundo lá fora."

Publicidade

Nielsen disse que conversas sobre a aquisição da Groenlândia são inaceitáveis, e que seu governo teve boas reuniões com a Otan e seus aliados. Segundo ele, o território autônomo está "disposto a cooperar muito mais" com os EUA, tradicionalmente um aliado.

Falando mais cedo no parlamento em Copenhague, a primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, disse, referindo-se aos Estados Unidos, que o país está sendo ameaçado pelo seu aliado mais próximo, e que "o pior ainda pode estar por vir".

Trump deve partir nesta terça-feira, aniversário de um ano do seu segundo mandato, para o Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça. O cenário pode lhe dar a oportunidade de reduzir as tensões tão rapidamente quanto tentou alimentá‑las.

Numa entrevista coletiva desta terça, o americano disse que acredita que se chegará a uma decisão que deixará tanto a Otan quanto os EUA "muito felizes", embora tenha repetido que o seu país "precisa" da Groenlândia para garantir sua segurança. Líderes europeus deverão realizar na noite de quinta-feira uma cúpula de emergência em Bruxelas.

Publicidade

ht/ra (AFP, AP, Reuters, ots)

A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
TAGS
Fique por dentro das principais notícias
Ativar notificações