Bolsonaro gostou de transferência à Papudinha, e decisão foi vista como 'bom gesto', dizem aliados

Ex-presidente passou de uma cela de 12 m² na Superintendência da Polícia Federal para uma de 65 m² no 19º Batalhão da PM-DF após determinação do ministro Alexandre de Moraes

16 jan 2026 - 13h18
(atualizado às 13h25)
Resumo
Bolsonaro foi transferido para uma cela maior e mais confortável no 19º Batalhão da PM-DF, decisão vista por aliados como positiva, mas ainda buscam prisão domiciliar alegando questões de saúde e condições adequadas.
Veja como é a ‘Papudinha’, para onde Bolsonaro foi transferido por ordem de Moraes
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BRASÍLIA — O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) gostou da transferência da sede da Superintendência Regional da Polícia Federal para o presídio da Papudinha, também em Brasília, e vê a decisão como "bom gesto".A avaliação é relatada por aliados do ex-presidente que se encontraram com a esposa, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, após a transferência, na mesma noite.

A determinação de transferência foi dada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes na tarde desta quinta-feira, 15. A Papudinha é o nome popular do 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, que faz parte do Complexo da Papuda e onde ficam presos policiais e pessoas politicamente expostas.

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Aliados próximos da família dizem ter "começado o ano bem", e que o objetivo é enviar o ex-presidente para a prisão domiciliar, em sua casa num condomínio de Brasília, mas que há ganho em qualidade de vida na cela da Papudinha.

O entorno de Bolsonaro agora coloca suas esperanças na perícia por uma junta médica da Polícia Federal para analisar a situação de saúde do ex-presidente. O exame deverá ser feito antes de Moraes analisar um novo pedido de prisão domiciliar humanitária, segundo decisão assinada na quinta-feira pelo ministro.

Jair Bolsonaro está preso na Papudinha, depois de um tempo na sede da Superintendência Regional da Polícia Federal, em Brasília
Jair Bolsonaro está preso na Papudinha, depois de um tempo na sede da Superintendência Regional da Polícia Federal, em Brasília
Foto: Wilton Junior/Estadão / Estadão

A perícia poderá facilitar eventuais adaptações de acomodação na sala da Estado Maior na Papudinha ou a necessidade de transferência para um hospital penitenciário.

A defesa requereu a Moraes a concessão de prisão domiciliar humanitária a Bolsonaro e a realização de nova "avaliação médica independente, em caráter de urgência, a fim de aferir a compatibilidade do estado clínico atual do peticionário com o ambiente prisional".

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A transferência de Bolsonaro vem sendo tratada com alívio por parte de aliados em conversas reservadas, mas criticada em público. O Estadão conversou com pessoas próximas ao ex-presidente para medir o sentimento sobre a decisão de Moraes.

A avaliação geral é que a mudança de cela vai trazer um ganho na qualidade de vida a Bolsonaro, mas não pode ser comemorada em público, sob o risco de arrefecer a campanha pela prisão domiciliar.

Para um aliado, as condições na cela da Papudinha melhoram a "condição mínima" de bem-estar dele. Para outro, ela é "absurdamente melhor, mas não pode comemorar ainda porque tudo isso ainda é uma sacanagem".

Um deles afirmou que a transferência acaba reduzindo a pressão junto à militância e à classe política pela campanha de prisão domiciliar, o que pode perpetuar o encarceramento de Bolsonaro. Outro vê na decisão de Moraes "um fundo de preocupação em fazer besteira, imagina se o presidente morre" (na cadeia).

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Lideranças diversas criticaram a decisão de Moraes. O líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante (RJ), afirmou nas redes sociais que o País está sob "um regime de arbítrio judicial".

"O que vemos não é justiça. É autoritarismo de toga, abuso de poder institucionalizado, a caneta usada como cassetete. A transferência de um ex-presidente para penitenciária, por decisão isolada, é punição política, vingança travestida de legalidade e demonstração de força de quem já não reconhece limites", publicou.

O ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL-SC) criticou a transferência do pai e disse que a Papudinha representa um "ambiente prisional severo".

"A transferência para um ambiente prisional severo, somada às aberrações jurídicas apontadas e ao estado clínico delicado, passa a representar mais do que o cumprimento de uma decisão judicial: transforma-se em um marco simbólico de confronto institucional, cujo impacto ultrapassa a figura de Jair Bolsonaro e alcança o próprio conceito de justiça, proporcionalidade e Estado de Direito no Brasil", escreveu numa rede social.

Michelle, por outro lado, agradeceu à PF pelos cuidados e pelo auxílio prestados ao marido durante as últimas semanas de custódia. A transferência é decorrência de uma articulação da qual a ex-primeira-dama fez parte.

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Na decisão que determinou a transferência, Moraes menciona a existência de uma "campanha fraudulenta" contra o Judiciário e reclamações de familiares de Bolsonaro sobre as condições de deixá-lo na cela da PF.

A decisão cita uma série de declarações de familiares de Bolsonaro feitas para denunciar a situação em que ele se encontrava após ser preso em novembro, apesar de o ex-presidente conviver com o que Moraes chama de "privilégios" na prisão.

O ministro lista os benefícios da Sala de Estado Maior, como a metragem de 12 m², quarto com banheiro privativo e água quente, TV, ar-condicionado, frigobar, médico da PF de plantão 24 horas por dia, autorização para fisioterapia, banho de sol diário e exclusivo, realização de exames médicos e protocolo especial para entrega de comida caseira diariamente.

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