O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, afirmou nesta sexta-feira, 7, que a escolha do deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) como candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro (PL) representa um "casamento perfeito" entre suspeitas de rachadinha e de irregularidades no orçamento do Poder Legislativo.
"Eu achei fantástico o Flávio Bolsonaro ter escolhido de vice o Alfredo Gaspar. Acho que é um casamento perfeito da rachadinha com o orçamento secreto. Vai dar bodas de ouro", declarou Boulos, ao ser questionado sobre o tema em entrevista coletiva após reunião com centrais sindicais em São Paulo.
O caso da rachadinha envolvendo Flávio refere-se às investigações sobre o desvio de salários de assessores quando ele era deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Em relação a Gaspar, Boulos citou suspeitas envolvendo R$ 6 milhões em emendas Pix e uma investigação relacionada a uma acusação de estupro de vulnerável.
O ministro ressaltou, contudo, que o deputado tem direito à presunção de inocência.
Boulos também relacionou a escolha do deputado ao isolamento de Flávio na disputa presidencial. "Talvez tenha sido o que sobrou. O Flávio não conseguiu montar nenhum partido na coligação dele, não conseguiu colocar o plano A, que era Ciro Nogueira (PP); o plano B, que era Tereza Cristina (PP); nem o plano C, que era Michelle (Bolsonaro)", disse.
Caso Lulinha
Questionado, na sequência, sobre as investigações que envolvem o filho do presidente da República, Fábio Luís Lula da Silva, Boulos afirmou que a oposição não tem autoridade moral para explorar o caso e sustentou que o governo federal não interfere no trabalho dos órgãos de investigação.
"Quando o Fábio foi citado, qual foi a fala do presidente? 'Se meu filho deve algo, que pague.' As investigações não recuaram um passo porque chegaram ao filho do presidente da República", declarou o ministro.