Senado do Paraguai começa análise do impeachment de Santiago Peña; presidente será ouvido na sexta

Em sessão extraordinária nesta quinta, 5, deputados solicitaram formalmente a aceitação integral da denúncia contra o presidente paraguaio; Peña comparecerá perante o plenário para apresentar sua defesa nesta sexta-feira, às 10h

6 nov 2026 - 07h19
(atualizado às 07h19)
Resumo
O Senado do Paraguai iniciou o processo de impeachment contra o presidente Santiago Peña, que apresentará sua defesa nesta sexta-feira. A crise decorre de sua ligação com a intervenção no Ueno Bank por insuficiência de capital. Embora Peña tenha anunciado sua renúncia, parlamentares optaram por dar continuidade ao julgamento político para impedir que ele se torne senador vitalício e obtenha imunidade parlamentar, gerando protestos populares do lado de fora do Congresso Nacional.

Após a análise da renúncia de Santiago Peña ser adiada por falta de quórum, o presidente do Senado, Basilio Bachi Núñez, convocou a Casa, órgão responsável pela aprovação do impeachment, para uma sessão extraordinária na noite desta quinta, 5.

Publicidade

Segundo o portal paraguaio ABC, os deputados designados como procuradores solicitaram formalmente a admissão e a aceitação integral da denúncia contra o presidente Santiago Peña durante a sessão.

Bachi Núñez então encerrou os procedimentos de impeachment do dia e convocou oficialmente uma sessão extraordinária do Senado para sexta-feira, 6, às 10h, quando Santiago Peña comparecerá perante o plenário para apresentar sua defesa.

Santiago Peña, presidente do Paraguai
Santiago Peña, presidente do Paraguai
Foto: Reprodução/Instagram/santipenapy

Minutos antes, o presidente paraguaio retornou às redes sociais e afirmou que se submeterá ao processo de impeachment e exercerá seu direito de defesa perante o Congresso.

"Diante da continuidade do processo de impeachment, comparecerei e exercerei meu direito à defesa. Farei isso com argumentos e provas, em respeito à Constituição e às instituições da República", escreveu o presidente na rede social X.

Publicidade

Do lado de fora, do Congresso Nacional uma multidão se reuniu para protestar e acompanhar os acontecimentos da sessão extraordinária.

Por meio de alto-falantes, transmissões de telefones celulares e rádios portáteis, cidadãos afetados pela crise do Ueno Bank e membros de sindicatos acompanharam ao vivo as apresentações dos procuradores.

Veja tudo que ocorreu nesta quinta no Paraguai

  1. Congresso do Paraguai vota a favor de abertura de impeachment contra Santiago Peña, e contra seu vice, Pedro Alliana;
  2. Peña comunicou renúncia por meio das redes sociais;
  3. Câmara não aceita renúncia e dá seguimento do processo de impeachment contra Peña;
  4. Processo de impeachment contra o vice, Pedro Alliana, é rejeitado;
  5. Senado abre uma sessão para votar pedido de renúncia de Peña, mas adia por falta de quórum após manobra da base alidada;
  6. Peña volta às redes sociais e diz que irá se defender no processo do impeachment;
  7. Senado realiza sessão extraordinária para analisar impeachment contra o presidente.

Mais cedo nesta quinta, a Câmara dos Deputados aprovou, por unanimidade, a abertura de um processo de impeachment contra o presidente. Na mesma sessão, os parlamentares aprovaram, por 48 votos a 30, um pedido de abertura de processo de impeachment contra o vice-presidente, Pedro Alliana.

Peña anunciou sua renúncia ao cargo em um vídeo publicado nas redes sociais, no início da tarde desta quinta-feira. Apesar do anúncio, parlamentares da oposição sinalizaram que não vão aceitar a renúncia de Peña.

Presidente do Paraguai apresenta renúncia em meio à crise por banco digital: ‘Preservar instituições’
Video Player

"Não aceitamos a renúncia de Santiago Peña. É preciso realizar o processo de impeachment contra ele e o vice-presidente Alliana", afirmou a senadora Esperanza Martínez, do Partido da Participação Cidadã, em uma publicação nas redes sociais.

Publicidade

A declaração está relacionada à legislação paraguaia, que prevê que ex-presidentes eleitos democraticamente se tornem senadores vitalícios, exceto aqueles que tenham sido submetidos a julgamento político e declarados culpados. Se renunciar sem ser condenado em um processo de impeachment, Peña poderá assumir essa condição e ter acesso às imunidades parlamentares.

A crise política e financeira que atinge o país sul-americano começou na terça-feira, 3, após o Banco Central do Paraguai (BCP) decidir intervir no Ueno Bank por insuficiência de capital.

Antes do processo, Peña teve ligações com o Ueno. Em abril do ano passado, o presidente admitiu que tinha investimentos na Ueno Holding, empresa ligada ao Grupo Vázquez, controlador do Ueno.

O ABC afirmou que, antes de se desfazer das ações, Peña tinha 6,144 bilhões de guaranis (cerca de R$ 5,51 milhões na cotação atual) em participação acionária. / COM INFORMAÇÕES DE AFP E AP

Publicidade
Fique por dentro das principais notícias
Ativar notificações