O Paraguai se viu atingido por uma crise política e financeira nesta semana após o Banco Central do país precisar assumir o controle do Ueno Bank. A intervenção deixou os correntistas da instituição financeira sem acesso ao próprio dinheiro, ocasionando protestos em Assunção, capital do Paraguai. No centro da crise, está o presidente Santiago Peña, que foi investidor do banco até março de 2025.
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Também foi Peña quem nomeou Carlos Carvallo como presidente do Banco Central, vindo do comando do Ueno Bank até 2023. Na terça-feira, 3, Carvallo renunciou ao cargo diante da crise.
O Ueno tem cerca de 3 milhões de clientes, o que equivale a aproximadamente 60% da população adulta paraguaia. Além disso, o banco administrava cerca de US$ 850 milhões em recursos públicos -- valor que inclui US$ 380 milhões investidos pelo fundo estatal de previdência e saúde do Paraguai.
Clientes em pânico do banco se reuniram em frente a agências fechadas em todo o país pedindo por respostas. Parte da população também pede o impeachment de Peña e investigações sobre a falência do banco.
Quem é Santiago Peña?
Peña é um economista de 47 anos. Ele assumiu a presidência do Paraguai em 2023, pelo partido Colorado, de direita, que governou o país nos últimos 75 anos, com exceção de cinco.
Antes de ser presidente, Peña foi diretor do Banco Central paraguaio e Ministro da Fazenda, entre 2015 e 2017, durante o governo de Horacio Cartes, que se tornou seu mentor político.
Peña se especializou em políticas públicas na Universidade de Columbia, nos Estados Unidos. Ele foi funcionário do FMI em Washington até sua nomeação como diretor do Banco Central em 2012.
Sua carreira deu uma guinada em 2016, quando uma manifestação que destruiu parte da sede do Congresso frustrou os planos do então presidente Cartes de modificar a Constituição para aspirar à reeleição. O empresário milionário escolheu seu jovem ministro para sucedê-lo.
Sem ter atuado na política antes, Peña filiou-se ao Partido Colorado e iniciou uma campanha meteórica em busca da conquista da Presidência dois anos depois.
Em agosto de 2022, quando Peña estava em plena campanha pela indicação interna do partido de dezembro, os Estados Unidos denunciaram que Cartes participou de atos significativos de corrupção e no início deste ano impuseram-lhe sanções econômicas que o obrigaram a se desfazer de suas empresas. O ex-presidente nega as acusações. Apesar das divergências dentro do partido, o grupo obteve uma vitória contundente.
*com informações da Reuters e Estadão