Em meio a protestos violentos e à pressão de manifestantes, o ex-presidente do Paraguai, Santiago Peña, deixou a prisão domiciliar e foi transferido, na madrugada deste sábado, 7, para o Regimento de Escolta Presidencial, unidade militar de elite das Forças Armadas paraguaias responsável pela segurança de autoridades. A informação foi divulgada pelo jornal paraguaio La Nación.
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Peña se tornou alvo da revolta de cidadãos após sua detenção. Os protestos em frente à residência do ex-presidente terminaram em confrontos entre manifestantes e policiais, que deixaram ferido no supercílio o comissário Pedro Barbera, chefe da 10ª Delegacia. Diante dos episódios, a inteligência paraguaia identificou a possível infiltração de agitadores na multidão.
Segundo o jornal paraguaio ABC Color, os suspeitos de provocar os episódios de violência já estavam em uma manifestação no centro de Assunção e teriam se deslocado até as proximidades da residência de Peña com a intenção de tornar as manifestações mais violentas. Antes disso, moradores do bairro de La Piedad, onde o ex-presidente vivia, também haviam se concentrado em frente ao imóvel para cobrar que ele fosse encaminhado à Penitenciária Nacional de Tacumbú, em vez de continuar em prisão domiciliar.
A prisão do ex-presidente ocorreu nesta sexta-feira, 6, quando Peña foi detido em sua residência por determinação do Ministério Público, em razão de seu envolvimento no caso da quebra do Ueno Bank. O episódio provocou o bloqueio de contas e investimentos de cerca de 40% da população e paralisou o comércio no país. Além disso, os senadores paraguaios rejeitaram seu pedido de renúncia e aprovaram, por unanimidade, seu impeachment.
De acordo com o jornal argentino Infobae, a transferência de Peña teria sido articulada pelas Forças Armadas como uma medida para evitar o agravamento dos conflitos. Três caminhonetes militares teriam sido utilizadas no deslocamento do ex-presidente.
A previsão é que Peña saia do Regimento de Escolta Presidencial neste sábado, às 11h (horário local), para participar da primeira audiência do processo. A unidade é responsável pela proteção do presidente e do vice-presidente do Paraguai, de seus familiares, de ex-presidentes e de chefes de Estado estrangeiros em visitas oficiais.
Entenda o caso
O Ministério Público do Paraguai pediu, nesta sexta-feira, 6, a prisão de Peña e do ex-presidente do Banco Central do Paraguai (BCP), Carlos Carvallo, no âmbito de uma investigação por lesão de confiança e outros delitos. A solicitação foi encaminhada ao Juízo de Garantias por quatro procuradores das unidades especializadas em Crimes Econômicos e Anticorrupção e em Crimes Informáticos.
A investigação ocorre em meio à crise envolvendo o Ueno Bank, instituição financeira que sofreu intervenção do Banco Central após enfrentar problemas de solvência. O episódio provocou o bloqueio de contas e investimentos de cerca de 40% da população e desencadeou protestos em diferentes regiões do país.
Diante da crise política, Peña anunciou sua renúncia em um comunicado divulgado minutos antes da votação no Senado. “Apresentei minha renúncia para evitar maiores danos ao país e ajudar a restabelecer a tranquilidade no Paraguai. Não quero que minha presença cause mais divisão ou instabilidade. Minha responsabilidade é colocar o país acima do meu futuro pessoal”, alegou.
Apesar do anúncio, os senadores paraguaios aprovaram por unanimidade o impeachment do então presidente. A votação terminou com 44 parlamentares favoráveis à destituição, sob a justificativa de mau desempenho no exercício de suas funções, uma das hipóteses previstas na Constituição paraguaia para o afastamento de um chefe de Estado. A decisão teve apoio de todas as bancadas e alcançou o número de votos necessário para retirá-lo imediatamente do cargo.
Com a destituição de Peña, o vice-presidente Pedro Alliana assume a Presidência do Paraguai e deve permanecer no cargo até 2028.