A agenda do presidente republicano Donald Trump está em risco com as eleições de meio de mandato que ocorrem nesta terça-feira, 3, nos Estados Unidos. Seu partido pode perder a maioria na Câmara dos Representantes e no Senado, atualmente controladas pelos republicanos. Mas a ampliação dos poderes dos democratas no Congresso dos EUA também pode impactar a vida da família Bolsonaro?
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O senador Flávio Bolsonaro (PL) ingressou nos EUA após perder as eleições presidenciais e a gestão Trump afirmou que o brasileiro teria um visto garantido no país, o que gerou indagações por parte de deputados democratas. Ainda assim, as eleições de meio de mandato, por si só, não devem ser capazes de gerar a deportação do ex-candidato ao Brasil.
A professora de Relações Internacionais da UERJ e pesquisadora do INCT/INEU, Clarissa Forner, explica que o processo de deportação é depende da atuação do Executivo e do Departamento de Estado, que são duas esferas controladas por Trump.
"Mas a Câmara e o Senado podem conduzir investigações que levem ao questionamento da permanência dos irmãos Bolsonaro no país e o envolvimento do presidente Trump com tentativas de interferência em eleições estrangeiras", afirma, se referindo também a Eduardo Bolsonaro, ex-deputado brasileiro que está vivendo nos EUA desde março de 2025.
Flávio descumpriu ordem do Supremo Tribunal Federal (STF), que, a pedido da Polícia Federal (PF), determinou que o senador entregasse os passaportes que tivesse. Mesmo assim, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro ainda não é considerado foragido, segundo esclareceu a PF em comunicado.
A advogada Emma Roberta Palú, mestre em Direito Constitucional pelo Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP) e especialista em Direito Eleitoral, reforça que uma eventual perda da maioria da Câmara ou do Senado não é suficiente por revogar vistos ou determinar deportação e que mudanças do tipo seriam improváveis.
"Um Congresso de maioria oposta só poderia alterar esse quadro aprovando uma nova lei, sujeita a veto presidencial, o que me parece bastante improvável. Isso não significa, claro, que uma derrota de Trump não produza efeitos, pois ela tende a impactar diversos cenários, inclusive as relações internacionais, já que a nomeação de autoridades de alto escalão depende de aprovação do Senado, além da fiscalização que o Congresso pode exercer sobre atos do Executivo", diz.
Da mesma forma, Clarissa Forner considera que caso uma nova maioria democrata se concretize, o governo Trump terá menos habilidade de governar e continuar sua agenda durante os dois últimos anos de sua administração.
Em sua visão, Trump terá maior dificuldade em aprovar pautas no Congresso, como as relacionadas à questão orçamentária, e será mais supervisionado pela maioria democrata.
"Há ainda as questões envolvendo a superexpansão do poder de agências de segurança e controle migratório, como a ICE, que também podem ter um escrutínio ampliado, no caso da vitória democrata. E também há impactos externos, como a redução do apoio interno às ações militares no Irã ou mesmo na América Latina", sintetiza a professora.