Presidente do Paraguai tentou se blindar da Justiça com renúncia, comenta Ariel Palácios
No Paraguai, a Constituição prevê que ex-presidentes tenham um cargo vitalício como senador e consequente foro privilegiado
Santiago Peña, o presidente do Paraguai, tentou se blindar da Justiça com a renúncia ao anunciar sua decisão de renunciar ao cargo nesta quinta-feira, 5, comenta Ariel Palácios, especialista em América Latina da GloboNews. Pela Constituição do país, os ex-presidentes da República passam a ter cargo vitalício no Senado -- e, consequentemente, mantêm o foro privilegiado.
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Para o especialista, a medida tomada por Peña foi uma forma que o então presidente encontrou para tentar evitar um processo na Justiça e ser investigado em meio a uma crise econômica e política no país.
A estratégia, porém, não deu certo: a Câmara rejeitou a carta de renúncia apresentada por Peña e preferiu dar seguimento ao processo de impechment contra ele, que já havia sido aberto.
A situação se dá em meio à dissolução do maior banco digital do Paraguai, o Ueno Bank, o que acarretou uma crise bancária no país. O Banco Central do Paraguai interveio no Ueno após determinar que o banco havia violado os requisitos mínimos de solvência, desencadeando cerca de 3 milhões de clientes do banco, em um país com 6,5 milhões de habitantes, sem acesso às suas contas.
A crise provocou protestos em Assunção e a detenção de oito executivos e empresários ligados ao banco.

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