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Paraguai já teve renúncia de presidente e até desistência de deixar o cargo antes de Santiago Peña

País vizinho ao Brasil teve um chefe de Estado que abriu mão da cadeira e outro que foi deposto

5 nov 2026 - 14h47
(atualizado às 14h49)
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Presidente do Paraguai apresenta renúncia em meio à crise por banco digital: ‘Preservar instituições’:

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, renunciou ao cargo no início da tarde desta quinta-feira, 5, em meio à crise política envolvendo o Ueno Bank e o avanço das articulações para seu impeachment. No entanto, ele não foi o único chefe de Estado a deixar o cargo.

Em 28 março de 1999, o então presidente Raúl Cubas renunciou às vésperas da votação de seu impeachment no Senado, sob acusação de violar a Constituição ao desobedecer ordem da Corte Suprema de Justiça paraguaia de manter preso seu aliado e padrinho político, o general Lino César Oviedo. A informação é do jornal Folha de S. Paulo.

"Não saio por ser corrupto ou ladrão, mas porque minha saída serve para a pacificação nacional nesse momento tão delicado", declarou na ocasião. Quem assumiu seu lugar foi o presidente do Congresso Nacional, Luis Angel González Macchi, porque o vice-presidente, Luis María Argaña, havia sido assassinado dias antes.

Raúl Cubas renunciou em março de 1999
Raúl Cubas renunciou em março de 1999
Foto: Reprodução/Portal Guarani

Em 2018, o país teve uma “quase renúncia”, quando o então presidente Horacio Cartes apresentou uma carta de desistência do cargo para assumir como senador ativo no Congresso paraguaio. Em abril daquele ano, ele havia sido eleito parlamentar e no começo de julho tomaria posse. 

No entanto, o novo governo federal assumiria somente em 15 de agosto. Então, Cartes apresentou uma carta ao Congresso pedindo a renúncia, em maio daquele ano, para facilitar a sua posse. Ocorre que, ele não conseguiu quórum para avaliar o pedido. Em julho, ele decide desistir da renúncia. 

"Eu me dirijo a Vossa Honorabilidade para retirar minha renúncia ao cargo de Presidente que apresentei na data de 28 de maio e que não teve tratamento no Congresso Nacional", declarou em uma nota ao Senado, de acordo com a agência de notícias AFP.  

O Paraguai ainda teve um presidente impeachmado em junho de 2012. Fernando Lugo foi destituído do cargo por 39 votos a favor e quatro contra, no Senado. 

Ele foi acusado de nepotismo, má gestão das Forças Armadas e se não exercer adequadamente sua função, principalmente após a morte de 17 pessoas durante uma operação de desocupação próxima a fronteira do Brasil. O conflito envolveu  um movimento de trabalhadores sem terra e forças policiais. 

Entenda a renúncia de Peña

A situação se dá em meio à dissolução do maior banco digital do Parguai, o Ueno Bank, o que acarretou uma crise bancária no País. 

Santiago Peña
Santiago Peña
Foto: Getty Images

O Banco Central do Paraguai interveio no Ueno após determinar que o banco havia violado os requisitos mínimos de solvência, desencadeando uma crise que deixou os cerca de 3 milhões de clientes do banco — em um país com 6,5 milhões de habitantes — sem acesso às suas contas.

A crise provocou protestos em Assunção e a detenção de oito executivos e empresários ligados ao banco.

Sem apoio

Peña, aliado do ‌presidente dos EUA, Donald Trump, está deixando ⁠o cargo depois que a oposição convocou uma sessão extraordinária para dar início ao processo de apresentação de um pedido de impeachment no Congresso, e enquanto manifestantes exigiam sua renúncia.

Na manhã desta quinta-feira, ‌Peña perdeu o apoio de membros de seu próprio ‌partido conservador. O ⁠vice-presidente Pedro ⁠Alliana deve assumir o cargo em seu lugar.

Os parlamentares acusaram ⁠Peña de conflitos ‌de interesse, uso indevido ‌de fundos de previdência e encobrimentos institucionais ligados ao colapso do ueno, que havia crescido rapidamente de uma empresa de fintech de nicho ⁠para um banco de médio porte administrando cerca de US$ 850 milhões em recursos públicos.

Agora, Peña deve apresentar o pedido formalmente ao Congresso, que pode decidir se aceita ou não a renúncia. Caso não seja aceita, o processo de impeachment aberto nesta quinta contra o presidente deve ter sequência. 

Fonte: Portal Terra
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