Em entrevista ao NYT, Flávio Bolsonaro nega ajuda de Trump e Milei em fuga e diz: ‘Levarei isso para o túmulo’
Ex-candidato à presidência citou por diversas vezes a palavra 'fraude' na matéria, mas foi desmentido pelo veículo
O ex-candidato à presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) negou em entrevista ao The New York Times que teria recebido ajuda do presidente Donald Trump, dos Estados Unidos, ou do presidente da Argentina, Javier Milei, para fugir do Brasil.
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"Como eu cheguei aqui, levarei isso para o túmulo", afirmou. O senador deixou o país acompanhado da família um dia após o segundo turno da eleição presidencial, que culminou em sua derrota. Ao veículo, Flávio alegou que, depois de visitar seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), decidiu "de forma espontânea" que deixaria o país por medo de ter o mesmo destino que ele.
"A culpa é toda minha. Não houve ajuda de ninguém, de nenhum governo", contou. Esta é a primeira entrevista de Flávio desde que ele fugiu do país. "Eu já sabia que o resultado final seria minha prisão", acrescentou.
O senador, a mulher e as duas filhas chegaram aos Estados Unidos no dia 28 de outubro, a bordo de um jato particular que pousou em Miami, na Flórida. A família deixou o território brasileiro por via terrestre e embarcou em Puerto Iguazú, na Argentina. Antes de chegar ao destino, o avião fez uma escala no Equador para abastecimento.
Por diversas vezes durante a entrevista ao NYT, Flávio usou a palavra "fraude" para se referir ao resultado eleitoral. No entanto, o veículo desmentiu as acusações sem provas feitas pelo ex-candidato, no papo que durou cerca de 1 hora e 15 minutos.
"Ele reclamou longamente sobre os gastos do governo durante a disputa eleitoral, alegando que isso conferiu ao Sr. Lula, um esquerdista, uma vantagem injusta. Ele criticou duramente o movimento digital que ajudou a impulsionar seu rival. E ampliou drasticamente suas alegações de fraude, por vezes ecoando as teorias da conspiração que seu pai costumava propagar sobre as urnas eletrônicas do Brasil — um sistema que especialistas internacionais consideram um dos mais seguros do mundo", defendeu o NYT, após Flávio alegar que "tem suspeitas".
A fuga de Flávio descumpre uma ordem judicial da Polícia Federal que determinava a entrega de seus passaportes e a proibição de sair do país. Ele é investigado em dois inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF).
Um deles se refere à lavagem de dinheiro em sua relação com o advogado Willer Tomaz e outro envolve pedido de recursos ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para a realização do filme Dark Horse, cinebiografia de seu pai. Sem mandato para 2027, o político ficará sem foro privilegiado pela primeira vez em 24 anos.
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