Quem é Santiago Peña, presidente que renunciou de cargo no Paraguai
Intervenção estatal motivada por desequilíbrio contábil mobiliza protestos populares e pedidos de impeachment em Assunção
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, renunciou devido a uma crise bancária envolvendo o Ueno Bank, que gerou protestos e pedidos de impeachment, enquanto a intervenção estatal buscava mitigar os impactos financeiros e sociais no país.
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, renunciou ao cargo nesta quinta-feira, 5, após um pedido de impeachment contra ele avançar no Congresso paraguaio. O país tem vivido uma crise bancária diante da renúncia de Carlos Carvallo do comando do Banco Central do país, anunciada nesta terça-feira, 3.
“Tomei a decisão de apresentar minha renúncia à presidência da República. O que faço é pensar na estabilidade do nosso país, na paz social e na necessidade de preservar nossas instituições democráticas. O que faço com absoluto respeito à nossa Constituição Nacional e aos mecanismos institucionais e democráticos que nos temos dado como nação”, afirmou no comunicado Peña de renúncia.
Ele deixa o cargo após o caso de intervenção estatal no Ueno Bank, instituição financeira em que Peña manteve investimentos até março de 2025. A medida paralisou as operações bancárias e gerou manifestações populares em Assunção.
Quem é Santiago Peña?
Com 47 anos de idade, Santiago Peña formou-se em Economia na capital paraguaia, obteve especialização pela Universidade de Columbia e atuou no Fundo Monetário Internacional (FMI) em Washington. Antes de assumir a Presidência, trabalhou como diretor do Banco Central e chefiou o Ministério da Fazenda entre 2015 e 2017.
Sua ascensão ocorreu sob a liderança do ex-presidente Horacio Cartes, empresário sancionado pelos Estados Unidos por corrupção em agosto de 2022. Peña filiou-se ao Partido Colorado e venceu a disputa eleitoral com 15 pontos de vantagem sobre o segundo colocado, mantendo a hegemonia da agremiação que governou o país nos últimos 75 anos, com exceção de cinco.
O que é a crise bancária do país
A crise culminou na renúncia de Carlos Carvallo ao comando do Banco Central do Paraguai nesta terça-feira (3). O dirigente, indicado por Peña para liderar a autoridade monetária, presidiu a instituição financeira privada até agosto de 2023 e deixou o cargo público para conter o desgaste institucional.
A intervenção da autoridade monetária ocorreu após o índice de solvência da entidade privada despencar para menos de 50%, limite fixado pela legislação bancária. O descompasso financeiro foi provocado pela concessão desmedida de créditos a empresas pertencentes ao Grupo Vázquez, acionista controlador da empresa.
Em resposta ao rombo, o Ministério Público ordenou a prisão de oito gestores da companhia e instaurou investigação penal. O encerramento temporário das atividades afeta 3 milhões de clientes, parcela representativa de 60% da população adulta paraguaia.
A carteira da fintech concentrava US$ 850 milhões em recursos públicos, montante que reúne US$ 380 milhões do fundo estatal de previdência e saúde. Diante da paralisação, a Superintendência de Bancos garantiu a manutenção dos pagamentos aos aposentados e a cobertura de depósitos de até 75 salários mínimos, soma avaliada em US$ 39 mil por correntista.
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.