O ministro da Saúde da Itália, Orazio Schillaci, pediu nesta quarta-feira (13) que os cidadãos do país mantenham a calma em relação ao surto de hantavírus e garantiu que o patógeno "não é a Covid-19".
As declarações do político italiano foram feitas durante uma sessão de perguntas na Câmara dos Deputados, onde ele detalhou as medidas adotadas contra o hantavírus.
"Os cidadãos devem manter a calma, já que não é Covid-19, mas sim algo que já conhecemos. Todas as quatro pessoas que estavam na Itália, no voo de Johannesburgo para Amsterdã em 25 de abril, são assintomáticas e estão sendo monitoradas de perto. Os testes realizados até agora deram negativo. Os dois casos relatados em Milão e Messina também tiveram resultado negativo", explicou Schillaci.
Em nota, a pasta enfatizou que o risco associado ao vírus permanece "muito baixo" em todo o continente europeu e, consequentemente, também em território italiano.
O secretário de Bem-Estar da região da Lombardia, Guido Bertolaso, anunciou que o turista britânico que está em quarentena em um hospital de Milão por ter tido contato com uma pessoa infectada pelo hantavírus testou negativo nos exames virológicos, assim como seu acompanhante.
O homem, que viajou no mesmo voo da holandesa que morreu em decorrência da doença, deverá permanecer isolado em Milão até o próximo dia 6 de junho.
"O turista está assintomático e todos os testes deram negativo. Portanto, não há problemas para as pessoas com quem ele possa ter tido contato nos últimos dias. Sabemos que esse vírus tem um longo período de incubação, então ele terá de continuar em quarentena, durante a qual será submetido a testes periódicos para confirmar sua negatividade. Não estamos diante de uma nova Covid-19", explicou Andrea Gori, diretor do Centro Regional de Doenças Infecciosas da Lombardia.
"Sabemos que o vírus é transmitido por contato muito próximo e que a transmissão de pessoa para pessoa é extremamente rara. Assim, a principal questão epidemiológica é o tempo que uma pessoa leva para ser infectada e desenvolver sintomas. Estamos falando de um vírus conhecido, que não é típico de humanos, porque se trata de uma zoonose cuja transmissão para humanos ocorre apenas em casos específicos", acrescentou o especialista.
Gori também afirmou que ainda não é possível confirmar que o hantavírus tenha taxa de mortalidade de 50%, já que esse dado "não foi totalmente comprovado por estudos clínicos detalhados".
Já Pierino Di Silverio, secretário do principal sindicato de médicos hospitalares, revelou à ANSA que existe escassez de profissionais de saúde nos hospitais, mas garantiu que "não há preocupação específica com o risco de disseminação do hantavírus". .