Leão XIV pede que jovens sejam 'arquitetos da paz' em meio a guerras e pressão social

Declaração foi dada durante visita de Papa à universidade em Roma

14 mai 2026 - 08h06
(atualizado às 09h09)

O papa Leão XIV fez nesta quinta-feira (14) um apelo aos jovens para que se tornem "arquitetos de uma paz verdadeira", promovendo a harmonia entre os povos e a proteção do planeta em um cenário internacional marcado por guerras, polarização e tensões sociais.

Papa fez discurso diante de jovens e corpo docente
Papa fez discurso diante de jovens e corpo docente
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

A declaração foi feita durante discurso na Universidade La Sapienza, em Roma, diante de estudantes, professores e autoridades acadêmicas.

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Ao abordar os desafios enfrentados pelas novas gerações, o pontífice criticou a corrida armamentista e alertou para o impacto da competitividade excessiva na saúde emocional dos jovens.

Segundo ele, muitos estudantes vivem sob intensa pressão por desempenho e expectativas irreais impostas pela sociedade contemporânea.

"Há também um lado triste na ansiedade: não devemos esconder o fato de que muitos jovens não estão bem. Todos passam por momentos difíceis; alguns, porém, podem sentir que eles nunca terminam. Hoje, isso depende cada vez mais da chantagem das expectativas e da pressão para ter um bom desempenho", afirmou.

Leão XIV classificou esse cenário como uma "mentira generalizada", fruto de "um sistema distorcido" que transforma pessoas em números e estimula uma lógica de competição constante.

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Em uma das passagens mais aplaudidas do discurso, declarou: "Esse mal-estar espiritual de muitos jovens nos lembra que não somos a soma do que temos: somos um desejo, não um algoritmo".

O papa também dirigiu palavras aos professores e educadores, afirmando que o ensino deve ser entendido como "uma forma de caridade". Para ele, a missão das universidades vai além da formação profissional e deve ajudar os estudantes a compreenderem sua identidade e seu papel na sociedade.

A chegada do pontífice à cidade universitária foi marcada por aplausos, gritos e celulares erguidos para registrar o momento.

Antes do pronunciamento principal, Leão XIV visitou a Capela Universitária Divina Sapienza, onde permaneceu alguns minutos em oração silenciosa.

O papa foi recebido pela reitora da universidade, Antonella Polimeni, e pelo capelão universitário, padre Gabriele Vecchione. Após ouvir testemunhos de estudantes, dirigiu-se ao Auditório Magno, onde falou ao corpo docente e discente da instituição.

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Durante o encontro, Leão XIV também elogiou iniciativas sociais desenvolvidas pela universidade, destacando um acordo entre a Diocese de Roma e a Sapienza para a criação de um corredor humanitário universitário destinado a estudantes vindos da Faixa de Gaza.

Segundo o pontífice, a universidade "se distingue como um centro de excelência em diversas disciplinas e, ao mesmo tempo, por seu compromisso com o direito à educação, inclusive para aqueles com recursos econômicos limitados, pessoas com deficiência, prisioneiros e pessoas que fugiram de zonas de guerra".  

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