O papa Leão XIV denunciou o crescimento "enorme" dos gastos militares em todo o mundo, especialmente na Europa, ao longo do último ano, e pediu que o rearmamento, que, segundo ele, também favorece elites "indiferentes ao bem comum", não seja tratado como "defesa".
O apelo foi feito nesta quinta-feira (14), durante um discurso na Universidade La Sapienza, em Roma, diante de estudantes, professores e autoridades acadêmicas.
"Não chamemos de 'defesa' um rearme que aumenta as tensões e a insegurança, empobrece os investimentos em educação e saúde, mina a confiança na diplomacia e enriquece elites que não se importam com o bem comum", declarou ele em sua visita pastoral.
O discurso foi marcado por referências aos conflitos internacionais em curso e à crescente militarização das tecnologias digitais. O pontífice citou diretamente as guerras na Ucrânia, em Gaza, no Líbano e no Irã como exemplos de uma "evolução desumana" da relação entre guerra e tecnologia.
Leão XIV ainda lamentou que a sociedade vive em um mundo "distorcido por guerras e pela retórica bélica".
"O que está acontecendo na Ucrânia, em Gaza e nos Territórios Palestinos, no Líbano e no Irã ilustra a evolução desumana da relação entre a guerra e as novas tecnologias, em uma espiral de aniquilação", afirmou.
O Santo Padre também alertou para os riscos da inteligência artificial aplicada às áreas militar e civil. Segundo ele, é necessário monitorar o desenvolvimento dessas tecnologias para impedir que decisões humanas sejam substituídas por sistemas automatizados.
"Devemos acompanhar o desenvolvimento e a aplicação da inteligência artificial nas esferas militar e civil, para que ela não prive os seres humanos da responsabilidade pelas escolhas nem agrave a tragédia dos conflitos", declarou.
Durante o encontro, o Papa questionou o legado deixado pelas atuais gerações. "Que tipo de mundo estamos deixando para trás?", perguntou, lamentando que a sociedade esteja sendo moldada por "guerras e palavras de guerra".
"O grito de 'basta de guerras!' dos meus antecessores, tão em sintonia com a rejeição da guerra consagrada na Constituição italiana, nos impele a forjar uma aliança espiritual com o senso de justiça que reside nos corações dos jovens, cuja vocação não deve ser limitada por ideologias ou fronteiras nacionais", concluiu o Papa.