O ministro das Relações Exteriores do Irã pediu às nações do Brics nesta quinta-feira que condenem o que ele chamou de violações da lei internacional por Estados Unidos e Israel, incluindo "sua agressão ilegal contra o Irã".
Suas falas em uma reunião de dois dias em Nova Délhi ressaltam as divisões dentro do bloco expandido do Brics, com a guerra de EUA e Israel no Irã lançando uma sombra sobre o encontro de ministros das Relações Exteriores. O grupo agora inclui os rivais regionais Irã e Emirados Árabes Unidos, o que complica os esforços para forjar uma posição unificada sobre o conflito.
Abbas Araqchi criticou Washington, descrevendo a guerra como "expansionismo ilegal e belicismo", e disse que o Irã continua aberto à diplomacia, ao mesmo tempo em que está pronto para se defender "com todos os meios disponíveis".
"O Irã, portanto, conclama os países membros do Brics e todos os membros responsáveis da comunidade internacional a condenar explicitamente as violações do direito internacional por parte dos Estados Unidos e de Israel", disse ele.
O conflito, que começou em 28 de fevereiro, aumentou as tensões geopolíticas e provocou uma crise energética global.
A posição do Irã pode dificultar que o Brics -- que opera por consenso -- chegue a um acordo sobre uma declaração conjunta, dada a presença dos Emirados Árabes Unidos no lado oposto. O Irã lançou vários ataques contra os Emirados Árabes Unidos e outros países vizinhos.
O grupo, originalmente composto por Brasil, Rússia, Índia e China, foi ampliado para incluir a África do Sul em 2011 e, mais recentemente, admitiu Egito, Etiópia, Indonésia, Irã e Emirados Árabes Unidos.
A expansão aumentou seu peso global, mas também elevou as divergências internas sobre questões geopolíticas. A Índia ocupa a presidência do Brics em 2026.
O quase fechamento do Estreito de Ormuz -- uma via crítica que movimenta cerca de um quinto das remessas globais de petróleo -- provocou uma das maiores interrupções de fornecimento da história recente.
As restrições ao tráfego de navios-tanque fizeram com que os preços do petróleo subissem acentuadamente, alimentando temores de recrudescimento da inflação, condições financeiras mais rígidas e uma possível desaceleração econômica global, principalmente para economias importadoras de energia, como a Índia.
Separadamente, o Ministério das Relações Exteriores da Índia disse na quinta-feira que um navio de bandeira indiana havia sido atacado na costa de Omã na quarta-feira e que toda a tripulação a bordo estava em segurança.
"O ataque ... é inaceitável e lamentamos o fato de que a navegação comercial e os marinheiros civis continuem a ser alvo".
Em seu discurso de abertura, o ministro das Relações Exteriores da Índia, Subrahmanyam Jaishankar, adotou um tom cauteloso, evitando críticas diretas e enfatizando a importância da estabilidade. Ele disse que fluxos marítimos desimpedidos através de vias navegáveis internacionais, incluindo o Estreito de Ormuz e o Mar Vermelho, são vitais para o bem-estar econômico global.
Ele também destacou as preocupações com o uso crescente de sanções unilaterais, um ponto de discórdia de longa data entre os membros do Brics.