Peterson Luxama, correspondente da RFI em Porto Príncipe
Casos como o de um funcionário da renomada destilaria haitiana Rhum Barbancourt, que morreu após ser atingido por uma bala perdida, já não são mais tão raros.
Outras cenas se repetem: mulheres, crianças, com mochilas nas costas, fogem de seus bairros sem saber exatamente onde encontrar abrigo. Como uma jovem que, com a voz embargada pelo choro, relata seu calvário à reportagem da RFI.
"Moro na planície. Os bandidos nos expulsaram por volta da 1h da manhã. Agora estamos na rua. Isso não é normal. O que está acontecendo é horrível. Onde está o nosso futuro, nós, os jovens, que somos a esperança do país?", questiona.
Ainda nesta segunda-feira, vários moradores deslocados organizaram um protesto improvisado na estrada que leva ao aeroporto internacional do país. Eles mostram revolta contra as autoridades. "Nós moramos aqui. Não pedimos casas nem outra coisa ao Estado, apenas segurança. Mas, infelizmente, não conseguimos dormir em paz em nossas casas. É um complô orquestrado contra nós para nos matar a todos", acusa um homem.
Ong Médicos Sem Fronteiras denuncia insegurança
A violência também afeta diversas instituições presentes na região. A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) anunciou o fechamento temporário de seu hospital em Drouillard, na região metropolitana de Porto Príncipe, por causa da insegurança.
O hospital de Fontaine, em Cité Soleil, que integra um complexo de favelas ao norte da capital, também retirou seu pessoal diante do risco de ataques armados.
À medida que os dias passam, a situação permanece extremamente tensa nessa região estratégica de Porto Príncipe, onde os grupos armados continuam a ampliar seu controle, um pouco mais a cada dia.