"Segundo os primeiros relatos, o suposto homem-bomba se aproximou de dois agentes da polícia rodoviária que estavam em um posto de controle antes de se explodir", declarou à AFP Muhammad Sajjad Khan, alto responsável da polícia local.
Após o atentado em Bannu, o Ministério das Relações Exteriores do Paquistão convocou o principal diplomata afegão em missão no país. Islamabad afirmou que o ataque foi "orquestrado por terroristas que residem no Afeganistão".
A província de Khyber Pakhtunkhwa, no noroeste do país e na fronteira com o Afeganistão, é frequentemente atingida por atentados suicidas e episódios de violência reivindicados por grupos que se opõem ao poder central paquistanês. O Paquistão acusa Cabul de abrigar esses grupos insurgentes, o que o governo afegão nega.
O conflito entre Paquistão e Afeganistão se arrasta há anos em torno da fronteira comum entre os dois países — cujo traçado não é reconhecido por Cabul — e se intensificou desde o retorno do governo talibã ao poder, em 2021. Confrontos esporádicos se transformaram em guerra aberta no fim de fevereiro, quando o Paquistão realizou bombardeios aéreos, inclusive sobre Cabul.
Segundo um relatório da ONU publicado nesta terça-feira, o conflito provocou a morte de 372 civis afegãos e deixou outros 397 feridos entre 1º de janeiro e 31 de março de 2026. No período, foram mortas 13 mulheres, 46 crianças (31 meninos e 15 meninas) e 313 homens no Afeganistão.
A predominância de vítimas do sexo masculino se explica pelo elevado número de mortos no ataque de 16 de março contra um hospital de Cabul, que atendia exclusivamente pacientes homens em tratamento contra dependência química. Em respostas por escrito, o Paquistão sustenta que "nenhum hospital ou centro de reabilitação para dependentes químicos foi alvo" dos bombardeios e afirma que suas ações "foram direcionadas apenas contra infraestruturas terroristas e militares".
O número real pode ser muito mais alto
No relatório da Missão de Assistência das Nações Unidas no Afeganistão (Unama), o Ministério das Relações Exteriores paquistanês afirma que 130 civis e membros das forças de segurança morreram no Paquistão desde o início de janeiro.
A Unama informou ter visitado o local do hospital atingido e "observado o impacto dos bombardeios aéreos paquistaneses". O governo talibã havia relatado mais de 400 mortos.
"Embora a Unama tenha conseguido verificar de forma independente ao menos 269 mortes de civis e 122 feridos, o número real pode ser muito mais alto", destaca o relatório. Muitos corpos "não puderam ser identificados por terem sido despedaçados", e outros estavam irreconhecíveis "em razão de queimaduras extensas".
A missão da ONU recomenda às autoridades afegãs que "estabeleçam um registro das pessoas ainda dadas como desaparecidas" para responder às demandas das famílias. Também pede que as partes em conflito evitem atingir unidades de saúde, não realizem ataques em áreas densamente povoadas por civis e investiguem possíveis violações do direito humanitário.
RFI com AFP