Mais de 20 franceses expostos ao hantavírus estão 'atualmente hospitalizados'

As 22 pessoas identificadas na França como "casos de contato" por terem sido expostas ao hantavírus estão "atualmente hospitalizadas", anunciou o Ministério da Saúde da França nesta quarta‑feira (13). O grupo ficará sob observação por ao menos 14 dias.

13 mai 2026 - 07h57
(atualizado às 08h03)

Segundo Philippe Besset, representante da principal Federação Francesa de Farmacêuticos, os "casos de contato" serão testados nesta quarta-feira. O governo se prepara para "declarar um protocolo" específico para essas pessoas, afirmou.

Foto ilustrativa, feita em estúdio da AFP em Paris em 11 de maio de 2026, de frascos com adesivos mencionando “hantavírus”.
Foto ilustrativa, feita em estúdio da AFP em Paris em 11 de maio de 2026, de frascos com adesivos mencionando “hantavírus”.
Foto: AFP - JOEL SAGET / RFI

De acordo com as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), os "casos de contato" devem ser testados frequentemente. O objetivo é identificar rapidamente novos infectados para evitar que a doença se propague.

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"A cada dois dias, fazemos testes", confirmou à emissora Franceinfo, o infectologista Yazdan Yazdanpanah, do hospital parisiense Bichat‑Claude‑Bernard. No local, além de um grupo de "casos de contato" também está hospitalizada em estado grave a idosa francesa que fazia parte dos passageiros do navio de cruzeiro MV Hondius, onde ocorreu um surto de hantavírus. 

Estoque de máscaras

A França está apreensiva com a possibilidade de uma epidemia de hantavírus. Nesta manhã, o governo informou que, em caso de propagação da doença, o país dispõe de um estoque de máscaras suficiente para enfrentar a situação por "no mínimo três meses". 

O comunicado enviado à imprensa indica que a capacidade de produção da França "é estimada entre 2,6 e 3,5 bilhões de máscaras por ano". O governo francês considera que a quantidade é "suficiente para enfrentar uma pandemia do tipo Covid‑19", e "pode inclusive ser ampliada, se necessário".

A nota reitera que nenhum país lida atualmente com uma epidemia de hantavírus e, no caso específico da França, há apenas uma infecção da doença confirmada. "Tal como identificado, ela é muito menos contagiosa que a Covid‑19".

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Em entrevista ao jornal Le Parisien, a pesquisadora-chefe da OMS, Sylvie Briand, reforça que a situação "não é comparável" à da última pandemia, e que o hantavírus se comporta de maneira diferente. Segundo ela, o surto ocorreu em circunstâncias específicas, em um navio, onde as pessoas convivem em grande proximidade. Além disso, a especialista ressalta que o hantavírus já é conhecido das autoridades sanitárias, ao contrário do que ocorreu com a Covid-19, há cerca de seis anos.

Caminho do "paciente zero"

O paciente zero do surto de hantavírus foi identificado como o holandês Leo Schipelroord, de 70 anos. Ele morreu dez dias após embarcar no navio de cruzeiro MV Hondius, em Ushuaia, em 1° de abril. 

O holandês e a esposa, que também morreu após uma contaminação por hantavírus, mas já em terra, na África do Sul, percorreram áreas da Argentina onde a doença é endêmica. O casal visitou um aterro sanitário em Ushuaia para fotografar pássaros, embora a localidade não registre casos de hantavírus desde 1996. Os dois holandeses também teriam passeado pela província de Salta, no norte da Argentina, onde 30 casos de hantavírus foram registrados desde julho do ano passado.

Para o jornal Le Figaro, a experiência da Argentina com o vírus pode servir de lição. Em 2018, 34 pessoas foram contaminadas durante uma festa de aniversário na cidade de Epuyén, no sul do país, e 11 delas morreram. 

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Um estudo mostrou as cadeias de transmissão e a eficácia das medidas de isolamento neste episódio. O paciente zero permaneceu 90 minutos na festa e contaminou cinco pessoas que estavam próximas a ele.

Nenhum dos 80 profissionais de saúde que tiveram contato com os doentes foi contaminado, embora o uso de equipamentos de proteção não fosse sistemático. A taxa de contaminação caiu em mais de 50% após a aplicação do isolamento dos pacientes.

RFI com AFP

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