Chefe da CIA visita Cuba enquanto Trump pede mudanças radicais para negociações

14 mai 2026 - 22h10

O diretor da CIA, ‌John Ratcliffe, entregou nesta quinta-feira uma mensagem do presidente norte-americano, Donald Trump, às principais autoridades cubanas em Havana, dizendo que os EUA "se engajariam seriamente" em questões econômicas e de segurança "somente se o país fizer mudanças fundamentais", disse uma autoridade da CIA à Reuters.

Avião do governo dos EUA é visto no Aeroporto Internacional de Havana
14 de maio de 2026
REUTERS/Norlys Perez
Avião do governo dos EUA é visto no Aeroporto Internacional de Havana 14 de maio de 2026 REUTERS/Norlys Perez
Foto: Reuters

A viagem de Ratcliffe parece ter sido a primeira visita de um diretor da CIA a ⁠Cuba desde a revolução comunista de 1953, ressaltando um raro momento de contato de alto ‌nível entre os dois países.

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A autoridade da CIA, falando sob condição de anonimato, não entrou em detalhes sobre as mudanças específicas que Trump estava exigindo.

Ratcliffe chegou em meio ‌a tensões crescentes entre Washington e Havana.

Trump aumentou a ‌pressão sobre Cuba, impondo efetivamente um bloqueio de combustível na ilha, ameaçando com sanções ⁠os países que fornecem combustível, provocando quedas de energia e desferindo novos golpes na economia.

Protestos generalizados eclodiram em Havana na noite de quarta-feira, quando os apagões em partes da cidade se estenderam por 24 horas ou mais, ameaçando o abastecimento de alimentos e dificultando o sono de muitos moradores.

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O ministro de Minas e Energia de Cuba disse que o ‌país havia ficado sem diesel e óleo combustível, e que sua rede elétrica havia entrado ‌em estado "crítico".

Cuba divulgou pela primeira ⁠vez a visita de ⁠Ratcliffe em um comunicado dizendo que ele conversou com seu colega cubano noMinistério do Interior em Havana. O ⁠comunicado não identificou as autoridades com as ‌quais ele se reuniu.

"Ambas as partes... ‌ressaltaram seu interesse em desenvolver a cooperação bilateral entre as agências de segurança no interesse da segurança de ambos os países, bem como da segurança regional e internacional", disse o comunicado.

Os representantes de Cuba disseram que a ilha não representa uma ameaça ⁠à segurança nacional dos EUA, segundo o comunicado.

O comunicado foi emitido depois que um avião do governo dos EUA foi visto partindo do aeroporto internacional de Havana na tarde desta quinta-feira, de acordo com uma testemunha da Reuters.

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A autoridade da CIA disse que os cubanos com quem Ratcliffe se encontrou ‌incluíam Raúl "Raulito" Rodríguez Castro, o ministro do Interior, Lázaro Álvarez Casas, e o chefe dos serviços de inteligência da ilha.

Ratcliffe transmitiu "a mensagem de Trump de que os Estados Unidos estão ⁠preparados para se envolver seriamente em questões econômicas e de segurança, mas somente se Cuba fizer mudanças fundamentais", disse a autoridade.

As partes também discutiram "cooperação de inteligência, estabilidade econômica e questões de segurança, tudo tendo como pano de fundo o fato de que Cuba não pode mais ser um porto seguro para adversários no Hemisfério Ocidental", acrescentou a autoridade.

A autoridade não identificou os adversários aos quais se referiu.

Ratcliffe procurou iniciar conversas substantivas sobre as medidas que Havana deve tomar para construir um relacionamento produtivo com Washington, disse a autoridade.

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A autoridade comparou a oportunidade de colaboração com a Venezuela, onde a hostilidade foi substituída por uma tentativa de cooperação após uma operação militar dos EUA em janeiro que depôs o presidente Nicolás Maduro, que foi levado de avião para os EUA para enfrentar acusações de tráfico de drogas. Maduro se declarou inocente.

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