A influenciadora Deolane Bezerra virou ré por organização criminosa e lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC), após a Justiça de São Paulo aceitar a denúncia do Ministério Público. A informação é da Folha de S. Paulo. Agora, a advogada tem dez dias para apresentar resposta à acusação formal.
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Segundo a denúncia, ela teria exercido a função de movimentar recursos financeiros de atividades ilícitas, atuando como uma espécie de "caixa" da facção. O documento, assinado pelo promotor Lincoln Gakiya, também denuncia Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado pelas autoridades como a principal liderança da facção.
Ambos são acusados dos crimes de lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa no âmbito da Operação Vérnix. Deolane está presa desde o último dia 21 de maio, quando foi alvo de uma operação policial que investiga sua atuação em atividades relacionadas à facção criminosa.
Após a denúncia apresentada pelo MPSP, na semana passada, a defesa dela afirmou ao Terra que a advogada “não faz parte de nenhuma organização criminosa e tampouco cometeu qualquer crime, o que será provado ao longo do processo".
A reportagem aguarda retorno do Tribunal de Justiça de São Paulo e tenta localizar a defesa da influenciadora.
Movimentações milionárias
Entre os principais pontos da investigação está a movimentação de aproximadamente R$ 40 milhões nas contas da influenciadora. Conforme apuram a Polícia Civil e o Ministério Público, há suspeitas de que os recursos tenham origem em uma transportadora de fachada localizada em Presidente Venceslau, no interior paulista.
De acordo com os investigadores, a empresa teria sido utilizada para ocultar patrimônio e movimentar valores provenientes do crime organizado, especialmente do tráfico de drogas, uma das principais fontes de arrecadação atribuídas ao PCC.
A ostentação de bens de luxo nas redes sociais também se tornou uma das principais frentes da investigação. Carros de alto padrão, joias, viagens internacionais e outros itens exibidos pela influenciadora se tornaram foco da apuração sobre uma possível lavagem de dinheiro.
Segundo a investigação, Deolane apresentaria um "padrão reiterado de ostentação de bens de alto valor econômico, incompatível, em tese, com a capacidade financeira formalmente declarada". O Ministério Público sustenta ainda que essa circunstância "se mostra relevante sob a ótica da persecução penal voltada aos crimes de lavagem de capitais e ocultação de patrimônio".