O deputado estadual do Rio de Janeiro Val Ceasa (PRD) foi alvo, na manhã desta quinta-feira, 18, de uma operação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) e da Polícia Civil que investiga a suposta atuação de agentes públicos em benefício da facção criminosa Terceiro Comando Puro (TCP).
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Além do parlamentar, também são investigados o ex-vereador Ulisses de Almeida Marins e o ex-assessor parlamentar Michael Johnny Vianna de Azevedo. Ao todo, foram expedidos 14 mandados de busca e apreensão, cumpridos em endereços no Rio de Janeiro e no Espírito Santo.
Segundo o MPRJ, a investigação foi instaurada no âmbito da Procuradoria-Geral de Justiça após surgirem indícios de que os investigados teriam tentado obter informações sobre uma operação sigilosa destinada à demolição de imóveis utilizados pelo TCP em Parada de Lucas, região que integra o chamado Complexo de Israel, na Zona Norte da capital fluminense.
De acordo com os investigadores, os agentes públicos teriam utilizado a influência dos cargos para argumentar junto à Polícia Militar que os imóveis seriam destinados à prestação de serviços sociais. As apurações, porém, indicam que essa justificativa não correspondia à realidade. A operação policial acabou sendo adiada.
Segundo o MPRJ, agentes encontraram R$ 166 mil em espécie durante as buscas realizadas contra Val Ceasa. Desse total, aproximadamente R$ 150 mil teriam sido localizados em outros endereços ligados ao deputado.
As diligências foram realizadas por equipes da Coordenadoria de Segurança e Inteligência do Ministério Público (CSI/MPRJ) e da Coordenadoria de Investigação de Agentes com Foro da Polícia Civil.
Os mandados foram cumpridos na sede da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, na Ceasa-RJ e em outros imóveis vinculados aos investigados.
Investigação mira tentativa de impedir demolição de imóveis do tráfico
De acordo com informações divulgadas pela TV Globo, a força-tarefa apura uma suposta intervenção para impedir a derrubada de construções atribuídas ao chefe do TCP, Álvaro Malaquias Santa Rosa, conhecido como Peixão.
Entre os imóveis investigados estaria o local chamado Resort Green, uma estrutura de lazer construída em área de preservação ambiental em Parada de Lucas. O local possuía piscinas, lago artificial para criação de carpas e outras instalações de luxo.
As investigações começaram na Coordenadoria de Investigação de Agentes com Foro (Ciaf), da Polícia Civil, e depois foram encaminhadas ao Ministério Público. Os mandados foram solicitados pelo procurador-geral de Justiça, Antonio José Campos Moreira, e autorizados pelo Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.
O que dizem os envolvidos
Em nota, a Alerj informou que acompanha a operação e que está à disposição para colaborar com as investigações.
"A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) informa que acompanha a operação realizada nesta quinta-feira pelo Ministério Público. A Casa reforça seu compromisso com a transparência e coloca-se à disposição para prestar toda a colaboração necessária ao andamento das investigações. A Alerj reitera que atua com austeridade e compromisso com o povo fluminense", diz a nota.
Já a Prefeitura do Rio declarou que Ulisses Marins não integra os quadros do município. Segundo a administração municipal, uma nomeação publicada em novembro de 2025 foi posteriormente anulada após análise da Secretaria de Integridade, que reprovou sua contratação.
Até a publicação desta reportagem, as defesas dos investigados não haviam se manifestado sobre as acusações. O caso segue sob investigação.