Uma grande ofensiva policial realizada nesta quinta-feira, 18 de junho, atingiu integrantes e apoiadores do Comando Vermelho em diversos estados brasileiros.
A ação, coordenada pela Polícia Civil do Ceará (PC-CE), resultou em dezenas de prisões, apreensão de veículos, imóveis e no pedido de bloqueio de contas bancárias que movimentaram mais de R$ 1 bilhão.
Ao todo, 47 mandados de prisão foram cumpridos. Desses, 18 tiveram como alvo investigados que já estavam recolhidos em unidades prisionais, enquanto outros 29 suspeitos foram capturados durante a operação. Ainda há 15 foragidos sendo procurados pelas equipes policiais.
Mandados em oito estados
A operação ocorreu simultaneamente no Ceará, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Amazonas, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Tocantins.
Somente em território cearense, foram cumpridas 41 decisões judiciais. As diligências alcançaram pelo menos dez municípios, incluindo Sobral, cidade onde foram localizadas parte das apreensões.
Segundo a Polícia Civil, a investigação apura crimes ligados à participação em organização criminosa e à lavagem de dinheiro.
Veículos, imóveis e dinheiro apreendidos
Durante o cumprimento dos mandados, os agentes recolheram armas de fogo, munições, aproximadamente R$ 100 mil em espécie e dezenas de veículos, incluindo modelos de alto padrão.
No Ceará, foram apreendidos 64 automóveis, sendo 16 apenas em Sobral. A Justiça também determinou o sequestro de cinco imóveis vinculados aos investigados, entre eles uma fazenda.
Além das apreensões físicas, as autoridades solicitaram o bloqueio de contas bancárias associadas ao grupo criminoso. Conforme a investigação, as movimentações financeiras identificadas ultrapassam R$ 1 bilhão.
Advogados entre investigados
Dois advogados aparecem entre os alvos da operação. Um deles foi preso em Fortaleza, suspeito de integrar a organização criminosa e participar da ocultação de recursos ilícitos. De acordo com os investigadores, ele teria atuado diretamente na movimentação financeira do esquema.
O segundo profissional foi alvo de mandado de busca e apreensão. O escritório utilizado pelos investigados também recebeu equipes policiais durante a ação.
Lavagem de dinheiro
As investigações apontam que o grupo possuía uma estrutura organizada para esconder e movimentar recursos oriundos de atividades criminosas.
Segundo o delegado-geral da Polícia Civil do Ceará, Márcio Gutiérrez, o objetivo da operação não é apenas retirar integrantes da facção das ruas, mas também enfraquecer sua capacidade financeira.
Pressão policial
Ainda conforme Márcio Gutiérrez, muitos integrantes do grupo deixam o Ceará para tentar escapar das ações de combate ao crime organizado, o que motivou a realização simultânea da operação em diferentes regiões do país. As investigações continuam e novas medidas não estão descartadas pelas autoridades.