A ANTT autorizou projetos-piloto para testar radares de velocidade média em duas importantes pontes brasileiras. A tecnologia será instalada na Ponte Anita Garibaldi, em Santa Catarina, e na Ponte Rio-Niterói, no Rio de Janeiro, com testes previstos inicialmente por 180 dias. Por enquanto, os equipamentos não poderão gerar multas apenas com base na velocidade média calculada.
Diferentemente de um radar convencional, que registra a velocidade do veículo em um ponto específico, o novo sistema identifica a placa em dois locais e registra o horário de passagem. Como a distância entre os equipamentos é conhecida, é possível calcular a velocidade média desenvolvida no trecho.
Na Ponte Anita Garibaldi, o monitoramento será realizado entre os km 312 e 315 da BR-101, em Laguna, em um percurso de aproximadamente 3 km. Considerando o limite de 110 km/h para veículos leves, seria necessário levar cerca de 1 minuto e 38 segundos para atravessar o trecho sem superar a velocidade máxima.
Na Ponte Rio-Niterói, o trecho monitorado terá 9,02 km, entre os km 323,700 e 332,720 da BR-101, no sentido Norte, em direção a Niterói. O experimento também terá duração inicial de 180 dias.
Durante os testes, os motoristas serão informados por sinalização sobre o monitoramento. As concessionárias responsáveis deverão enviar relatórios periódicos à ANTT para avaliar a precisão dos equipamentos, o comportamento do tráfego e a viabilidade da tecnologia.
A fiscalização por velocidade média não deve ser confundida com os radares equipados com inteligência artificial. Enquanto os equipamentos com IA podem identificar comportamentos como uso de celular e falta de cinto, o sistema de velocidade média trabalha principalmente com o reconhecimento da placa e o intervalo de tempo entre os dois pontos.
A tecnologia ainda não pode ser utilizada para aplicar multas dessa forma porque a regulamentação brasileira atual está baseada na medição da velocidade em um ponto específico. Uma eventual utilização para autuações dependerá de regulamentação própria e de requisitos técnicos e jurídicos definidos pelo Contran.
A expectativa é que os testes nas duas pontes ajudem a determinar como a tecnologia poderia ser aplicada futuramente em outros trechos de rodovias brasileiras.