Caso Master: Ibaneis e fundo da Reag fizeram ‘dobradinha’ para ocupar Conselho do BRB, diz jornal

Governador indicou sua chefe de gabinete e dois advogados apoiados pelo Fundo Borneo para conselho do banco durante negociações com o Master

7 fev 2026 - 08h46
Resumo
Ibaneis Rocha e o fundo Borneo da Reag Investimentos são apontados por articulações para indicar membros no Conselho Fiscal do BRB entre 2024 e 2025, período de transações investigadas como fraudulentas entre o banco e o Banco Master.
O governador Ibaneis Rocha sancionou lei aprovada em setembro
O governador Ibaneis Rocha sancionou lei aprovada em setembro
Foto: Gabriela Biló/Estadão / Estadão

Ibaneis Rocha (MDB), governador do Distrito Federal, fez uma “dobradinha” com um fundo da Reag Investimentos, investigada por operações fraudulentas com o Banco Master, para indicar representantes do Conselho Fiscal do Banco de Brasília (BRB) entre 2024 e 2025, período em que o BRB comprou carteiras do Master e tentou comprar o banco de Daniel Vorcaro. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Ibaneis emplacou sua chefe de gabinete, Juliana Monici Souza Pinheiro, em uma das vagas e indicou os advogados Leonardo Oliveira de Vasconcelos e Celivaldo Elói de Sousa como titular e suplente de outra vaga. Logo depois, o fundo Borneo, administrado pela Reag, que virou acionista do BRB, assumiu a paternidade da indicação dos dois advogados. 

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Segundo o Estadão, Ibaneis indicou Juliana Monici para o Conselho Fiscal do BRB no dia 14 de novembro de 2024. Originalmente, sua indicação foi feita como representante dos acionistas preferencialistas, que não fazem parte do grupo controlador — que é o governo distrital. Juliana foi eleita na ocasião. Mais tarde, o banco alegou um erro material na ata e corrigiu a indicação como representante do controlador.

Na mesma data, o governo indicou os advogados Leonardo Roberto Oliveira de Vasconcelos e Celivaldo Elói de Sousa para as vagas de membro efetivo e membro suplente do conselho, respectivamente. Os dois, porém, não foram eleitos nesse dia. O próprio DF pediu a suspensão da deliberação de seus nomes até que o Comitê de Elegibilidade do BRB apresentasse parecer favorável.

No dia 12 de março de 2025, a assembleia foi retomada. A indicação de Juliana foi corrigida e ela passou a ser considerada representante do controlador. Foi então que o fundo Borneo FIP Multiestratégia, da Reag, que virou acionista do BRB, indicou Leonardo e Celivaldo para as vagas destinadas aos acionistas preferencialistas.

Os dois advogados disputaram a indicação com outra chapa, composta pelo acionista Leonardo Peixoto Estevão, que apresentou sua candidatura à vaga efetiva, e Cristiane Estevão, que concorreu como suplente. 

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Mudança na configuração

O histórico revela uma mudança importante na configuração das cadeiras do conselho. Juliana passou de representante dos acionistas preferencialistas para representante do controlador (governo do DF) após a correção da ata. Leonardo e Celivaldo, que eram os nomes do governador, acabaram sendo efetivos por meio do fundo da Reag.

Duas semanas depois das indicações dos advogados, em 28 de março de 2025, o BRB formalizou uma oferta de compra de parte do Banco Master por R$ 2 bilhões, mas a operação foi barrada pelo Banco Central em setembro. A PF investiga uma série de fraudes envolvendo essa operação. 

O BRB começou a comprar carteiras do Master na metade de 2024. A Polícia Federal (PF) apontou R$ 12,2 bilhões de créditos inexistentes - que, segundo as investigações, teriam sido adquiridos de janeiro a junho de 2025. 

O Conselho Fiscal não tem o poder de decidir sobre os negócios do BRB, mas tem o dever de fiscalizar os atos da gestão do banco, pode pedir informações e questionar os resultados contábeis da instituição financeira. Os negócios com o Master foram aprovados pela diretoria e não foram questionados pelo Conselho Fiscal.

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O Terra não localizou os advogados citados na reportagem. Procurado, o BRB disse que a eleição de integrantes do conselho segue a Lei das Sociedades Anônimas. “O Banco informa ainda que não é competência do Conselho Fiscal deliberar sobre cessões de carteira ou operações societárias”, afirmou.

Fonte: Portal Terra
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