Imóveis de Ronaldinho Gaúcho foram usados para captar R$ 330 milhões do Master sem permissão, diz jornal

Empresas tomavam crédito do banco e reinvestiam dinheiro recebido em outros fundos ligados ao Master, segundo investigação

4 fev 2026 - 08h41
Resumo
Imóveis de Ronaldinho Gaúcho foram usados em operações financeiras sem sua autorização para captar R$ 330 milhões, com fundos redirecionados em um circuito fechado ligado ao Banco Master, conforme investigações do MPF e Banco Central.
Imóveis de Ronaldinho Gaúcho foram usados para captar R$ 330 milhões do Master sem permissão, diz jornal
Imóveis de Ronaldinho Gaúcho foram usados para captar R$ 330 milhões do Master sem permissão, diz jornal
Foto: Montagem: Reprodução/Instagram e Rovena Rosa/Agência Brasil/Imagem de arquivo

Dois terrenos pertencentes ao ex-jogador Ronaldinho Gaúcho foram usados em uma operação financeira para captar R$ 330 milhões com o Banco Master, sem o conhecimento do atleta, segundo revelou o jornal O Globo. Os recursos teriam sido direcionados a fundos de investimento ligados à própria instituição financeira.

De acordo com a defesa do ex-jogador, Ronaldinho não foi informado sobre a emissão dos créditos e o negócio imobiliário, que previa o uso das áreas, acabou sendo cancelado antes da execução. As informações surgiram em investigações do Ministério Público Federal (MPF) e do Banco Central.

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De acordo com a apuração, o Banco Master, por meio do Fundo City 02, do qual era o único cotista, concedia empréstimos a empresas que, na sequência, reinvestiam os valores em fundos administrados pela Reag, gestora que, assim como o Master, foi posteriormente liquidada pelo Banco Central. Parte dessas operações envolvia a emissão de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI), títulos lastreados em créditos do setor imobiliário.

Em agosto de 2023, a Base Securitizadora emitiu R$ 330 milhões em CRIs para a S&J Consultoria, com lastro em notas comerciais destinadas ao desenvolvimento de terrenos em Porto Alegre, incluindo duas áreas atribuídas a Ronaldinho. Segundo advogados do ex-jogador e de sócios do empreendimento, o projeto não avançou por falta de licenças ambientais e pendências fiscais, e não houve aporte relevante nos imóveis.

Em vez de financiar obras, os recursos captados eram realocados em um circuito fechado de fundos ligados ao próprio grupo financeiro, o que teria inflado artificialmente os ativos do banco e melhorado seus indicadores regulatórios, conforme O Globo.

As empresas envolvidas são alvo de investigações da Polícia Federal, com mandados autorizados pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo o ministro, o volume total de CRIs sob suspeita emitidos pela Base Securitizadora pode chegar a R$ 1 bilhão.

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Criada pelo empresário César Reginato Ligeiro, a Base Securitizadora teve sua estrutura societária alterada em 2022, quando ele deixou formalmente a empresa. A S&J Consultoria, fundada em 2021, tem como sócia a Land I, também ligada a Ligeiro, que ainda figura como administrador da OCC S.A., outra empresa do grupo.

Ao jornal, ele afirmou que sua atuação no mercado imobiliário e financeiro sempre ocorreu dentro da legalidade e que eventuais questionamentos devem ser analisados pelas instâncias competentes.

Fonte: Portal Terra
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