A Sabesp, companhia de saneamento de São Paulo, investiu R$ 15,2 bilhões em 2025, um crescimento de 120% em relação aos R$ 6,9 bilhões aplicados no ano anterior. Segundo o diretor financeiro (CFO) da companhia, Daniel Szlak, esse movimento contribuiu para a antecipação das metas de universalização do saneamento. Para 2026, a companhia espera ampliar ainda mais o ritmo, com aportes em torno de R$ 20 bilhões.
No acesso à água, a Sabesp atingiu 152% da meta prevista para 2024-2025, beneficiando cerca de 1,8 milhão de pessoas. Na coleta de esgoto, o avanço correspondeu a 133% do objetivo, com impacto sobre mais de 2,1 milhões de habitantes. Já no tratamento de esgoto, o cumprimento chegou a 134% da meta, beneficiando aproximadamente 3,7 milhões de pessoas. Os números foram divulgados pela companhia por meio de fato relevante.
Em média, cerca de 2,4 mil domicílios por dia passaram a receber algum tipo de serviço, segundo Szlak. "Isso representa aproximadamente cinco vezes o ritmo do maior programa de investimentos realizado anteriormente pela companhia", disse o executivo em entrevista ao Estadão/Broadcast.
Uma das premissas centrais da privatização da Sabesp, concluída em 2024, foi ampliar a capacidade de investimento da companhia para viabilizar a universalização do saneamento. Pelo contrato, estão previstos cerca de R$ 70 bilhões em aportes até 2029, quatro anos antes do prazo estabelecido no marco legal do setor.
A companhia não descarta antecipar ainda mais esse cronograma, embora a decisão dependa da coleta e análise de dados. "A situação real pode variar, especialmente em função do crescimento das cidades, sobretudo no interior, onde o desafio maior é a qualidade dos dados, e não a execução das obras", diz o executivo. Atualmente, são mais de 1.100 frentes de obras da Sabesp em andamento.
Ritmo acelerado
A expectativa é que o volume de investimentos suba novamente em 2026. "O número deve ficar mais próximo da casa dos R$ 20 bilhões", afirmou Szlak. A aceleração decorre, sobretudo, da antecipação de programas que, pelo contrato de concessão, estavam previstos para a próxima década.
Entre os principais vetores está o reforço da resiliência hídrica, investimento originalmente programado para começar em 2030 e que foi antecipado, com gasto adicional de cerca de R$ 2 bilhões em 2026. A modernização dos sistemas de medição também deve adicionar aproximadamente R$ 2 bilhões aos aportes, além do desembolso em torno de R$ 1 bilhão com a conclusão da transação envolvendo a Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae).
Szlak lembrou ainda que o montante total de cerca de R$ 70 bilhões em investimentos até 2029, previsto no contrato de privatização, está expresso em valores de 2022/2023 e sofre impacto da inflação acumulada e da elevação dos custos, especialmente de mão de obra.
Conforme mostrou a Broadcast, a Sabesp planeja captar pelo menos mais R$ 10 bilhões no mercado de dívida ao longo de 2026, além do US$ 1,5 bilhão (cerca de R$ 8 bilhões) levantado na semana passada na maior emissão de "blue bonds" já realizada no mundo.