Qual a relação entre Roberto Justus e o Banco Master? Entenda

Justus diz ter se surpreendido com a informação de que tinha o banco como um de seus principais sócios em empresa de construção

30 jan 2026 - 19h59
Roberto Justus é considerado um dos empresários mais famosos do Brasil
Roberto Justus é considerado um dos empresários mais famosos do Brasil
Foto: Reprodução/Instagram/@robertoljustus

Robertos Justus tinha o Banco Master como um dos seus principais sócios, desde 2023, e não sabia disso. É o que revelou a Folha de S. Paulo em reportagem publicada nesta quinta-feira, 29. Justus é dono e CEO da Steelcorp, empresa de construção, que tinha em sua sociedade um fundo de investimentos apontado como peça central do esquema do banco Master.

Estamos falando do SH Fundo de Investimentos em Participações Multiestratégia, que era sócio da Steelcorp e tinha como único cotista o Banco Master. E esse fundo, por sua vez, era administrado pela Reag.

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Ao jornal, Justus disse que o nome do cotista único era mantido sob sigilo e só foi descoberto após dois anos de parceria. Segundo o empresário, a legislação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) assegura o anonimato de cotistas em fundos de investimentos.

A Reag Investimentos, no caso, é gestora que o Banco Master utilizava no esquema de desvio. Segundo as investigações, o banco emprestava recursos a empresas aparentemente laranjas que aplicavam o dinheiro em fundos da Reag. A partir disso, esses fundos compravam ativos de baixo ou nenhum valor real por preços inflados. Foram identificados seis fundos suspeitos da Reag, com patrimônio que somado ultrapassou R$ 102,4 bi. O esquema envolvia outras frentes, mas os fundos eram vistos como peça crucial. 

O Reag também chegou a ser alvo da Operação Carbono Oculto, megaoperação promovida pelo Ministério Público de São Paulo contra um esquema de fraudes bilionárias no setor de combustíveis envolvendo a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).

“A Reag nunca foi sócia. Foi apenas administradora e gestora de um fundo, a qual eu fui muito agradecido na época porque a empresa estava começando. Tanto que você pode ver que no capital social era bem relevante a participação deles, a empresa ainda era muito uma startup”, disse Justus ao jornal ao ser questionado sobre a relação da Reag com sua empresa. Além disso, ele considera um erro o nome dos cotistas não serem divulgados. 

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Já o fundo administrado pela Reag aparece na sociedade, conforme apontam documentos da Junta Comercial de São Paulo (Jucesp). Além dele, na Steelcorp, Justus é o sócio majoritário e também integrava a sociedade a Potenza Administração e Empreendimentos, do empresário Marcelo Pieruzzi.

Em paralelo, João Carlos Falbo Mansur, que é ex-CEO da Reag, era o representante da gestora no conselho de administração dessa empresa de Justus. Ele assumiu este papel em julho de 2024, e em setembro do mesmo ano a empresa anunciou formalmente a entrada do Banco Master na companhia, segundo a Folha, envolvendo o fundo Dynamic, do ex-banqueiro e dono do Master Daniel Vorcaro.

Justus afirma conhecer Henrique Vorcaro, pai do banqueiro, desde quando Daniel era uma criança. Ele diz ter procurado por Vorcaro para alavancar seu negócio e o Master, em “crescimento vertiginoso” na época, parecia ser um bom parceiro. Porém, Vorcaro acabou deixando o caso de lado e os dois acabaram desfazendo o contrato -- o que Justus encara como "sorte".

“Eu pressionei muito para ele entrar, muito. Ele não tinha nada, era um banqueiro agressivo, que eu conhecia, um menino super do bem, eu conheço ele desde pequeno. Então assim, é um cara que eu nunca imaginei que pudesse entrar numa confusão dessa, ele investiu em muitas empresas de amigos meus”, declarou Justus. 

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Quando foi deflagrada a Operação Carbono Oculto em agosto passado, que tinha a Reag como um dos alvos, Mansur foi destituído do conselho da empresa de Justus. Justus notificou a Reag para divulgar quem era o cotista do fundo SH. E esse fundo, que integrava a sociedade, decidiu por conta própria entrar em liquidação e transferir todo seu patrimônio para outro fundo. Foi na assinatura deste processo que o nome do Master apareceu como cotista.

Justus alega ao jornal que não sabia que eles tinham feito a liquidação na ocasião, e que isso não poderia ter ocorrido sem sua autorização, que era sócio majoritário. 

Em paralelo, o Banco Master foi liquidado após decreto do Banco Central em novembro passado. Já a gestora de investimentos Reag sofreu liquidações no último dia 15. 

Terra acionou os envolvidos em busca de posicionamentos. O espaço segue aberto e será atualizado em caso de retorno.

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Fonte: Portal Terra
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