O custo marginal de operação do sistema elétrico brasileiro poderá alcançar até R$4.870 por megawatt-hora em todo o país na noite desta quarta-feira, mais de 10 vezes o valor médio semanal previsto, segundo informações do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).
O chamado "CMO" poderá alcançar esse pico no horário de 21h às 21h30, disse o ONS, em função de um aumento da carga de energia devido à alta das temperaturas na Região Sul, ao mesmo tempo em que se prevê uma redução da geração eólica no Nordeste.
Segundo o ONS, a carga bruta de energia poderá aumentar 1,3 gigawatt (GW) entre 21h e 21h30, na comparação com a véspera, enquanto a produção das eólicas poderá diminuir 2,9 GW. Com isso, o órgão disse que foi necessário, no planejamento da operação, maximizar a geração hidráulica e acrescentar em torno de 4,2 GW de geração térmica, no mesmo horário.
O ONS explicou que o aumento de consumo de energia é justificado pelo bloqueio atmosférico que impede o avanço de frentes frias pela Região Sul, acarretando elevação de temperatura. Temperaturas mais altas costumam aumentar o uso de ar condicionado pelos consumidores.
A geração eólica, por sua vez, apresentou declínio devido à presença de um sistema de baixa pressão que reduz os ventos alísios no Nordeste.
O CMO corresponde ao custo para se produzir o próximo megawatt-hora de energia que o sistema necessita, e é um dos indicadores para o cálculo do preço da energia no mercado de curto prazo, o PLD. Para esta semana, o ONS divulgou na sexta-feira passada uma previsão de CMO médio na casa de R$320/MWh.
Quando ocorre um descolamento entre esse custo e o PLD, são cobrados encargos dos consumidores de energia.