O Santander Brasil pretende crescer de forma seletiva e técnica em crédito em 2026, com expansão "desproporcional" em setores que escolheu, como alta renda, enquanto deve otimizar seu portfólio para a baixa renda, afirmou nesta quarta-feira o presidente-executivo do banco, Mario Leão.
O banco reportou na véspera resultado para o quarto trimestre do ano passado, com carteira de crédito ampliada de R$708 bilhões, expansão de 3,7% no ano e 2,8% no trimestre.
"O Santander Brasil vai buscar uma evolução de carteira mais saudável possível, crescendo desproporcionalmente em alguns segmentos de negócios", afirmou o CEO, em videoconferência com analistas, destacando que a alta renda é um deles, enquanto a carteira de baixa de renda pode cair nominalmente.
Ele citou que a perspectiva para a dinâmica de vários portfólios é melhor em 2026 do que em 2025, mas ponderou que ainda há alguns segmentos pressionados, como o agronegócio, as pequenas empresas e alguma coisa em pessoa física, principalmente na baixa renda.
Em entrevista coletiva à imprensa, Leão preferiu não estimar quando ocorrerá um ponto de inflexão nestes segmentos, destacando que mesmo com um cenário de queda de juros estimado pelo mercado para 2026 a Selic permanece em alta. Mesmo em 2027, acrescentou, se tudo der certo, ainda pode ficar em dois dígitos.
No quarto trimestre, o índice de inadimplência acima dos 90 dias do Santander Brasil ficou em 3,7%, comparado com 3,2% no ano anterior e 3,4% no terceiro trimestre.
Na bolsa paulista, as units do banco recuavam 1,36%, a R$35,45, por volta de 11h10, em dia negativo no setor, que terá outras divulgações de balanços nesta semana, como Itaú Unibanco e Bradesco, e na próxima, incluindo Banco do Brasil.
Analistas do Citi destacaram que a leitura sobre a qualidade dos ativos indica que este é um dos desafios tanto para pessoas físicas quanto para empresas.
Em relatório a clientes, eles pontuaram que a inadimplência (NPLs) está em alta, tanto nas faixas de 15-90 dias quanto acima de 90 dias, enquanto as renegociações aumentaram como percentual da carteira de crédito e as recuperações e a cobertura recuaram na comparação trimestral.
A equipe do Citi também destacou que os esforços de eficiência ao longo do trimestre ficaram aquém das suas expectativas.
"No geral, os resultados do Santander parecem mais estáveis em termos de receitas e rentabilidade, embora a postura ainda cautelosa em um ambiente desafiador possa limitar novas expansões do ROE no curto prazo."
O retorno sobre o patrimônio médio (ROAE) do banco ficou em 17,6% no quarto trimestre, queda de 0,1 ponto percentual em comparação com o quarto trimestre de 2024 e estável em relação ao terceiro trimestre de 2025.
MERCADO DE CAPITAIS, MASTER
Leão destacou a jornalistas que o ano começou bastante benigno para o mercado de capitais, principalmente renda variável. Ele ressaltou que o mundo está passando por uma grande realocação de portfólios e que esse fluxo pode favorecer o Brasil, que tem fundamentos bons.
Ele também vê possibilidade de ofertas iniciais de ações (IPOs) ocorrendo neste ano no mercado brasileiro.
O CEO também estimou para as próximas semanas algum desfecho envolvendo a recapitalização do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) após desembolsos expressivos relacionados à liquidação do Banco Master pelo Banco Central no ano passado.
"Algo vai ser definido nas próximas semanas, no próximo mês...em pouco tempo isso será resolvido", afirmou. Ele destacou, contudo, que, embora exista um diálogo frenquente com os bancos, trata-se de uma decisão do FGC e do regulador.
Leão ressaltou que o desafio daqui para a frente envolve como será a evolução das regras para que algo parecido não possa acontecer novamente. "O Brasil não deveria aceitar que um novo Banco Master pudesse acontecer", afirmou.