BRB entrega ao BC plano de recomposição para superar perdas com Master; veja o que está na mesa

Banco de Brasília confirmou entrega do documento, mas não detalhou medidas; valores só serão definidos após conclusão das investigações

6 fev 2026 - 20h39
(atualizado às 21h05)

BRASÍLIA - O Banco de Brasília (BRB) entregou ao Banco Central um plano de capital a ser implementado caso seja comprovada a necessidade de aporte financeiro na instituição após a crise envolvendo o Banco Master. Em nota à imprensa, o BRB confirmou a entrega, mas não detalhou as medidas descritas no documento.

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Em nota oficial, o banco afirmou que são ações preventivas de recomposição a serem implementadas nos próximos 180 dias, mas só em caso de comprovação da necessidade de aporte.

Segundo apurou o Estadão, foram colocadas quatro opções na mesa: o governo do DF pegar um empréstimo com um consórcio de banco, um empréstimo com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), a estruturação de um fundo com ativos imobiliários do DF e uma solução de mercado para as carteiras do Master compradas pelo BRB.

BRB entregou ao Banco Central um plano de capital nesta sexta-feira, 6
BRB entregou ao Banco Central um plano de capital nesta sexta-feira, 6
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil / Estadão

Nos três primeiros casos, há injeção de recursos do acionista no banco. Essas ações precisam ser aprovadas pela Câmara Legislativa do DF. Já a venda de ativos do Master teria o efeito de permitir ao BRB reverter provisões. Segundo apurou a reportagem, o mais provável é que haja um "mix" das alternativas.

Especialistas apontam que um dos pontos cruciais da estratégia do BRB é conseguir vender ativos sem deságio (desconto) ou com a menor perda possível. Como há necessidade de fazer caixa, é da natureza do setor bancário que os compradores tentem obter o menor preço de compra possível.

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Se a venda ocorrer com um deságio muito grande, o efeito sobre o Índice de Basileia do BRB pode piorar. Esse é um dos principais indicadores de prudência bancária exigidos pelo Banco Central.

Em nota, o banco afirmou que os eventuais valores das ações preventivas somente serão definidos depois da conclusão das investigações em andamento.

Em depoimento à Polícia Federal, o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, afirmou que o BRB pode ter um buraco de R$ 5 bilhões no seu balanço em função das operações com o Master.

O objetivo do aporte pelo acionista é aumentar o patrimônio líquido do banco público (dinheiro dos donos dentro da instituição). O BRB precisa apresentar o balanço de 2025 até o dia 31 de março e quer soltar nessa data os números com a solução para os problemas criados com a operação com o Master.

Como revelou o Estadão, o BRB vendeu R$ 5 bilhões de ativos de alta qualidade para estancar a fuga de capitais após a liquidação do Master e a Operação Compliance Zero, que afastou o ex-presidente da instituição Paulo Henrique Costa por suspeitas de irregularidades. A venda ocorreu para fazer frente aos saques e reforçar a liquidez do banco estatal.

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Nesta sexta-feira, o documento foi entregue pelo presidente do BRB, Nelson de Souza, ao diretor de Regulação do Banco Central, Gilneu Vivan, que também exerce temporariamente a posição de diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução.

O secretário de Economia do Distrito Federal, Daniel Izaias, também participou do encontro. Segundo o BRB, ele reforçou o compromisso do DF, acionista controlador do banco, com as medidas apresentadas e com a solidez do banco.

"Elaborado para garantir a sustentabilidade da instituição, o plano fortalece o capital institucional e assegura a estabilidade das operações", diz o BRB. "O banco reafirma seu compromisso com a transparência, com a proteção de clientes, investidores e parceiros, e com a adoção de todas as medidas necessárias para preservar a integridade e a continuidade de suas atividades."

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