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Pesquisa indicam: dormir tarde pode prejudicar o coração

A relação entre o horário em que a pessoa vai dormir e a saúde do coração está ganhando cada vez mais atenção na comunidade científica. Veja por que pesquisas associam o fato de dormir tarde com maior risco cardiovascular.

16 fev 2026 - 15h32
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A relação entre o horário em que a pessoa vai dormir e a saúde do coração está ganhando cada vez mais atenção na comunidade científica. Estudos recentes indicam que quem costuma adormecer muito tarde tem maior probabilidade de desenvolver problemas cardiovasculares, como pressão alta e doenças nas artérias. Por isso, o ponto central não é apenas a quantidade de horas de sono, mas também o momento em que esse descanso acontece.

Pesquisadores têm observado que o organismo segue um relógio biológico interno, o chamado ritmo circadiano. Afinal, ele regula hormônios, pressão arterial e batimentos cardíacos. Assim, quando a rotina diária insiste em contrariar esse relógio, indo dormir de madrugada e acordando tarde ou muito cedo, o corpo tende a entrar em descompasso. Portanto, esse desajuste aparece em exames e estatísticas que ligam o sono tardio ao aumento do risco cardiovascular.

Os cientistas destacam que essa associação entre dormir tarde e doenças do coração não acontece de forma isolada – depositphotos.com / AntonLozovoy
Os cientistas destacam que essa associação entre dormir tarde e doenças do coração não acontece de forma isolada – depositphotos.com / AntonLozovoy
Foto: Giro 10

O que os estudos mostram sobre dormir tarde e risco cardiovascular?

Diversos trabalhos vêm investigando a relação entre o horário do sono e a saúde do coração. Assim, em análises populacionais com dezenas de milhares de participantes, pesquisadores observaram que pessoas que adormecem regularmente após 0h apresentam maior incidência de doenças cardiovasculares ao longo dos anos, em comparação com quem dorme entre 22h e 23h30. Em alguns estudos, o aumento de risco ficou em torno de 10% a 25%, dependendo de fatores como idade, sexo, presença de pressão alta, diabetes e hábito de fumar.

Os cientistas destacam que essa associação entre dormir tarde e doenças do coração não acontece de forma isolada. Em muitos casos, o sono tardio vem acompanhado de outros comportamentos que também prejudicam o sistema cardiovascular. Entre eles, alimentação em horários irregulares, maior consumo de ultraprocessados à noite, sedentarismo e maior tempo de exposição a telas. Portanto, quando tudo isso se soma, o efeito sobre o coração pode ser mais intenso.

Em pesquisas que medem pressão arterial ao longo de 24 horas, indivíduos que dormem muito tarde tendem a apresentar menor queda da pressão durante a noite, fenômeno chamado de "non-dipper". Assim, essa menor queda noturna está relacionada a maior risco de infarto, AVC e insuficiência cardíaca. Além disso, alterações em hormônios como cortisol e melatonina, ligados ao estresse e ao sono, também aparecem com mais frequência em quem vive em um padrão crônico de "coruja noturna".

Dormir tarde faz mal para o coração em qualquer situação?

A expressão "dormir tarde" pode ter significados diferentes de pessoa para pessoa. Por isso, para avaliar o impacto sobre o coração, pesquisadores costumam olhar para o conjunto. Ou seja, horário de dormir, horário de acordar, regularidade da rotina, qualidade do sono e hábitos de vida em geral. Em outras palavras, o risco cardiovascular não depende apenas do relógio, mas do estilo de vida que acompanha esse padrão de sono.

Alguns estudos com trabalhadores em turnos irregulares, como plantonistas e profissionais de serviços essenciais, mostram risco maior de problemas cardíacos. Isso independentemente do número total de horas dormidas. Nesses casos, o que pesa é a constante mudança de horários e a dificuldade do organismo em se adaptar. Já em pessoas que mantêm uma rotina estável, dormem tarde, mas acumulam boas horas de sono e cuidam da alimentação e da atividade física, o impacto pode ser menor.

De forma geral, os especialistas descrevem o sono tardio como um fator de risco associado. Ou seja, não como uma condenação automática. Isso significa que ele costuma aparecer junto com outros elementos que também aumentam o risco cardiovascular. Por isso, o foco recai sobre a combinação de hábitos e não apenas sobre o horário em que a luz é apagada.

Quais hábitos de vida estão ligados a quem dorme tarde?

Pessoas que adotam um padrão de sono noturno prolongado, dormindo e acordando tarde, com frequência apresentam um conjunto de comportamentos que influencia a saúde do coração. Entre esses hábitos, alguns surgem de modo repetido em estudos populacionais e em questionários de estilo de vida.

  • Alimentação fora de hora: jantares muito tardios, lanches de madrugada e maior consumo de alimentos ricos em gordura, sal e açúcar no período noturno.
  • Sedentarismo: menor prática de atividade física regular, muitas vezes pela dificuldade de encaixar exercícios em uma rotina que começa tarde.
  • Mais tempo em telas: uso prolongado de celular, computador e TV até altas horas, associado a exposição à luz azul, que atrasa ainda mais o sono.
  • Maior consumo de bebidas alcoólicas ou energéticas: em alguns grupos, essas substâncias aparecem como facilitadoras para manter-se acordado à noite.
  • Rotina social desajustada: horários que entram em conflito com compromissos de trabalho ou estudo, gerando privação de sono em dias úteis.

Essa combinação de fatores ajuda a explicar por que a coruja noturna muitas vezes exibe maior taxa de obesidade, resistência à insulina, colesterol elevado e pressão alta, todos conhecidos como importantes determinantes de doença cardiovascular.

Pessoas que adotam um padrão de sono noturno prolongado, dormindo e acordando tarde, com frequência apresentam um conjunto de comportamentos que influencia a saúde do coração – depositphotos.com / VitalikRadko
Pessoas que adotam um padrão de sono noturno prolongado, dormindo e acordando tarde, com frequência apresentam um conjunto de comportamentos que influencia a saúde do coração – depositphotos.com / VitalikRadko
Foto: Giro 10

Como as "corujas noturnas" podem proteger a saúde do coração?

Mesmo para quem tem tendência natural a dormir e acordar mais tarde, alguns ajustes na rotina podem contribuir para reduzir o impacto desse padrão na saúde cardiovascular. A ideia central é melhorar a qualidade do sono e equilibrar o estilo de vida, mesmo que o horário de deitar não seja tão cedo quanto o recomendado para a maioria da população.

  1. Estabelecer um horário fixo para dormir e acordar
  2. Reduzir luz intensa e telas antes de dormir
  3. Cuidar do que se come à noite
  4. Incluir atividade física na rotina
  5. Atenção a sinais de alerta

Equilíbrio entre relógio biológico, rotina e saúde do coração

A relação entre dormir tarde e saúde do coração não é simples nem única. O horário de deitar funciona como um indicador de como a rotina diária se organiza e de quais escolhas de estilo de vida acompanham esse padrão. O que a literatura científica descreve até agora é que a combinação de sono tardio, menor tempo de descanso e hábitos pouco saudáveis forma um cenário mais favorável ao aparecimento de doenças cardiovasculares.

Por outro lado, manter exames em dia, controlar pressão, glicemia e colesterol, evitar o tabagismo, moderar o consumo de álcool, praticar atividade física e buscar um padrão de sono mais regular são estratégias capazes de reduzir significativamente esse risco. Assim, mesmo quem se identifica mais com o perfil de coruja noturna pode adotar ajustes consistentes e preservar a saúde do coração ao longo do tempo.

Giro 10
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