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Ela quase amputou o braço por um câncer raro, venceu a doença e comemorou seu aniversário de 8 anos com surpresa em avião

Áurea passou por 9 meses de tratamento intenso, decidiu raspar o cabelo por conta própria e agora recebeu a notícia de que superou a doença

11 fev 2026 - 07h30
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Ela quase amputou o braço por um câncer raro, venceu a doença e comemorou aniversário de 8 anos com surpresa em avião :

Tudo começou com um caroço mole no braço de Áurea. Do ortopedista, ela foi levada para o oncologista. Da primeira biópsia, passou a realizar diversos outros procedimentos, tinha o risco de precisar amputar o braço e foi para a quimioterapia. Após meses de tratamento, descobriram que seu caso se tratava de um câncer raro: PEComa (Tumor de Células Epitelioides Perivasculares), que surge ao redor dos vasos sanguíneos. E tudo mudou novamente em janeiro deste ano, com a notícia de que a menina está livre da doença. Em comemoração, pais, irmãs, tios e primos seguiram rumo a uma viagem para celebrar o nascimento e o renascimento da pequena – que completou 8 anos de idade no último dia 2. As festividades começaram no avião, quando a aeromoça anunciou sua história a pedido da família e todos aplaudiram a conquista da garota. 

A mãe de Áurea, Kássia Bravo, de 47 anos, narrou os acontecimentos dos últimos meses citando todas as datas com precisão. Em entrevista ao Terra, ela disse que ao saber que se tratava de um tumor em sua filha, demorou alguns dias para a ficha cair, para ela e a família assimilarem que estavam entrando em um mundo novo. Mas, a partir disso, firmaram que não se tratava de uma sentença, e que tudo poderia mudar. Desde então, cada dia se tornou ainda mais valioso.

Dias antes de completar oito anos de idade, Áurea recebeu a notícia de que estava curada do câncer e viajou com a família para comemorar a nova fase de sua vida
Dias antes de completar oito anos de idade, Áurea recebeu a notícia de que estava curada do câncer e viajou com a família para comemorar a nova fase de sua vida
Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal

Áurea também não abaixou a cabeça. Serelepe e com sorriso no rosto, ela contou que, no início do tratamento, não entendeu o que estava acontecendo e ficou assustada. “Eu fiquei perguntando pra todo mundo o que eram os remédios que eu tava tomando. Mas foi boa a primeira internação. De noite fiquei um pouquinho mais enjoada. Depois foi passando e eu fiquei um pouquinho melhor. Mais melhor, mais melhor.. Eu fiquei um pouquinho mais feliz porque sabia que estava chegando minha cura”, relembra.

Ela é de Santos, no litoral de São Paulo, e conseguiu uma vaga no hospital do Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer (GRAACC), na capital paulista, em agosto passado. No total, foram cinco cirurgias e seis ciclos de quimioterapia. Quando seus cabelos começaram a cair, ela mesmo teve a iniciativa de raspar. Sua gêmea, Aylla, também cortou as pontas do cabelo para dar forças à irmã.

As irmãs seguiram juntas sempre que possível ao longo dos últimos meses. A família também se manteve por perto e apoiando a menina -- com alguns, inclusive, raspando o cabelo com ela
As irmãs seguiram juntas sempre que possível ao longo dos últimos meses. A família também se manteve por perto e apoiando a menina -- com alguns, inclusive, raspando o cabelo com ela
Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal

Os dias no GRAACC não foram só de incertezas. Foi lá que Áurea diz ter decidido o que quer ser quando crescer: voluntária. “Vou trabalhar na parte dos brinquedos para ajudar as crianças a tomar quimioterapia, os remédios, as medicações, as cirurgias. Lá é tudo lindo e maravilhoso”, diz a menina, que pretende conciliar isso com ser professora, dentista e policial – assim como sua irmã gêmea também almeja para quando chegarem à maioridade.

Áurea agora está na fase chamada de “manutenção”. No momento, ela curte as férias com a família em Porto Seguro, na Bahia, celebrando a vitória de vida. Mas ainda neste mês ela retornará ao GRAACC. No total, mesmo com a cura, serão cinco anos de acompanhamento com exames periódicos. O que se sabe é que ainda esse mês ela fará uma consulta de retorno, vai “bater o Sino” – que é uma espécie de ritual que simboliza a conclusão do tratamento – e fazer uma cirurgia de reconstrução do cotovelo.

“Faz nove meses que eu não vou mais pra escola, que eu não vou pra praia, que eu não vou pra piscina. Nove meses de tudo”, contou Áurea, ansiosa para retomar a vida. 

"Não precisa chorar, mãe. Deus já me curou. Confia no processo", dizia a menina à família
"Não precisa chorar, mãe. Deus já me curou. Confia no processo", dizia a menina à família
Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal

Foram meses difíceis, com a família se fortalecendo entre si. Agora, após o vídeo de Áurea sendo aplaudida no avião circular nas redes sociais, essa rede de apoio se multiplicou e há muita gente torcendo pela vida da menina. O que seus pais esperam com essa repercussão é que, cada vez mais, as crianças recebam a atenção necessária.

“A gente, graças a Deus, observou [o caroço no braço de Áurea] e foi atrás. Às vezes a pessoa olha uma coisinha na criança e fala: ‘Não é nada’. Cara, vai atrás. Que nessa doença [câncer], um dia, dois dias, é primordial. O caso de Áurea é muito agressivo e pode ir para todo o corpo. Graças a Deus isso não aconteceu. Mas se a gente não tivesse feito tudo isso, a gente poderia não ter esse resultado hoje”, disse o pai da menina, Carlos Ricardo.

“A frase que eu aprendi é que procura, acha, né? Que todo mundo fala. Mas quem procura, cura. Eu nunca desisti”, finalizou a mãe.

Foto: Arquivo Pessoal

‘Menos de 70 casos’

O caso de Áurea foi o primeiro do tipo no GRAACC. O PEComa são "são neoplasias do tecido mesenquimal, que levam ao crescimento desordenado de células que dão origem a músculos, cartilagens, ossos, nervos e vasos sanguíneos". Na oncologia pediátrica, também é algo excepcionalmente raro: há menos de 70 casos descritos na literatura até o momento. É o que explica Carolina Silva de Aguiar, oncologista pediátrica do hospital. 

“Em crianças, os locais mais acometidos incluem fígado, rim, retroperitônio, pulmão e tecidos moles profundos. O envolvimento de extremidades é raro, e a localização em região de cotovelo [como aconteceu com Áurea] é excepcional, não encontramos nenhum caso descrito na literatura pediátrica”, complementou a médica. 

No momento, Áurea está com a doença em remissão, mantendo seguimento clínico e radiológico regular. E tudo acontece de forma multidisciplinar, envolvendo oncologistas, patologistas, ortopedistas e radiologistas.

O Hospital do GRAACC completa 35 anos em 2026, reconhecido internacionalmente como um espaço de referência no tratamento do câncer infantojuvenil, principalmente em casos de maior complexidade. São atendidos cerca de 4 mil pacientes todos os anos – sendo, destes 400 novos casos, média de um por dia. Ao todo, o hospital já ultrapassa a marca de 1400 transplantes realizados. 

Os tipos de câncer mais comuns em crianças e adolescentes são as leucemias, os linfomas e os tumores do sistema nervoso central. “Embora o câncer infantil seja raro, o diagnóstico precoce é fundamental para o planejamento adequado do tratamento e para o sucesso terapêutico. Os pais devem estar atentos aos chamados sinais de alarme, especialmente quando persistem ou pioram ao longo do tempo”, complementa a médica.

Adultos, atenção aos sinais nas crianças e adolescentes -- conforme elencado pela especialista:

  • Entre os sinais gerais mais frequentes estão febre persistente sem foco aparente, perda de peso inexplicada, cansaço excessivo, palidez, manchas roxas pelo corpo, sangramentos e sudorese noturna;
  • Merecem atenção quadros de dores de cabeça persistentes, principalmente ao despertar, vômitos em jato, alterações da marcha, do equilíbrio ou da coordenação, além de convulsões;
  • O surgimento ou aumento progressivo de nódulos ou massas em membros, pescoço, abdome ou testículos, assim como dor óssea persistente ou claudicação sem trauma, devem ser avaliados; 
  • Alterações oftalmológicas, como reflexo branco no olho (leucocoria), estrabismo de início recente ou perda visual súbita devem ser valorizados;
  • Na presença de qualquer um desses sinais, é fundamental conversar com o pediatra ou procurar um serviço especializado para avaliação adequada.
Fonte: Portal Terra
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