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Câncer tem cura? Avanços no tratamento contra a doença reduzem efeitos colaterais e melhoram qualidade de vida

Casos de câncer devem crescer no Brasil até 2028, segundo estimativa, mas avanços na medicina já permitem falar em 'cura' em alguns tipos

5 fev 2026 - 03h58
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Resumo
Novos tratamentos contra o câncer oferecem avanços significativos, como menor toxicidade e maior qualidade de vida para pacientes, mas o acesso desigual e o diagnóstico precoce permanecem desafios cruciais no Brasil.
Casos de câncer devem crescer no Brasil até 2028, segundo estimativa, mas avanços já permitem falar em ‘cura’ em alguns tipos
Casos de câncer devem crescer no Brasil até 2028, segundo estimativa, mas avanços já permitem falar em ‘cura’ em alguns tipos
Foto: Getty Images

O Brasil deve registrar cerca de 781 mil novos casos de câncer por ano até 2028, segundo uma nova estimativa do Instituto Nacional de Câncer (Inca), divulgada nesta quarta-feira, 4, Dia Mundial do Câncer. Com os novos dados, especialistas avaliam que a doença se aproxima das enfermidades cardiovasculares como principal causa de morte no país. No entanto, a medicina também tem registrado avanços no tratamento.

Segundo o médico imunologista e diretor do Centro de Pesquisa em Imuno-oncologia (CRIO) do Hospital Israelita Albert Einstein, Kenneth Gollob, graças aos avanços, já é possível falar em cura para alguns tipos de câncer diagnosticados precocemente e, no casos de estágios mais avançados, em remissões prolongadas — algo que antes era raro.

Também cresceu a possibilidade de “transformar” certos cânceres metastáticos em doenças controláveis por anos. No entanto, a “cura” ainda depende, em grande parte, do tipo de tumor, do estágio da doença, da biologia do câncer e da resposta individual de cada paciente.

Atualmente, de acordo com o especialista, os principais destaques da área são:

  • Medicina de precisão (testes moleculares para a escolha de terapias-alvo e combinações mais adequadas);
  • Imunoterapia (especialmente inibidores de checkpoints e novas estratégias de ativação e engajamento do sistema imunológico);
  • Terapias com CAR-T para linfomas e leucemias do tipo B.

Gollob avaliou ainda que, entre os avanços citados, a imunoterapia foi a que mais proporcionou melhora significativa na qualidade de vida dos pacientes. “Em geral, é melhor tolerada do que a quimioterapia tradicional”, destacou. 

“Muitos conseguem manter suas atividades diárias, com menos impacto físico imediato, menos internações e maior autonomia. Quando eficaz, também pode gerar respostas duradouras, reduzindo a necessidade de tratamentos contínuos e prolongados”, afirmou em entrevista ao Terra.

De acordo com ele, os tratamentos atuais apresentam menos efeitos colaterais em comparação aos mais antigos. “Especialmente quando comparamos quimioterapias antigas ‘em dose cheia para todos’ com estratégias atuais mais guiadas por alvo/biomarcador”, afirmou. 

“Quando comparamos a imunoterapia com as quimioterapias mais antigas, a principal diferença não é a ausência de toxicidade, mas o perfil dessa toxicidade. As quimioterapias clássicas costumavam causar efeitos previsíveis e cumulativos, como queda importante de cabelo, náuseas intensas, infecções e fadiga marcada. A imunoterapia, por outro lado, tende a causar menos toxicidade contínua no dia a dia, mas pode levar a eventos imunomediados, que são menos frequentes, porém potencialmente graves se não forem reconhecidos e tratados precocemente. Em muitos pacientes, isso se traduz em melhor qualidade de vida ao longo do tratamento, desde que haja acompanhamento especializado”, explicou Gollob. 

O diagnóstico precoce continua sendo decisivo
O diagnóstico precoce continua sendo decisivo
Foto: Morsa Images / Getty Images

O diagnóstico precoce continua sendo decisivo

O médico ressalta ainda que as novas opções terapêuticas não substituem outros métodos. O diagnóstico precoce continua sendo um dos fatores mais determinantes para o sucesso do tratamento.

“Mesmo com terapias mais modernas, tumor em estágio inicial geralmente significa maior chance de cura, tratamentos menos intensivos e com menos sequelas. O avanço do tratamento não ‘substitui’ o rastreamento, a atenção aos sinais de alerta e o acesso rápido ao diagnóstico”, destacou.

A inteligência artificial também tem atuado positivamente no avanço da área. Segundo o especialista, a tecnologia vem sendo usada principalmente como suporte em radiologia, patologia digital, priorização de casos, padronização de laudos e, em alguns centros, na integração de dados clínicos e moleculares para discussão em tumor boards.

“A mensagem-chave é: IA funciona melhor quando é validada, usada com governança e complementa, não substitui, a decisão médica”, disse Gollob. 

Dificuldade de acesso segue sendo o maior problema

Gollob destaca que o Brasil avançou bastante em termos de aprovação regulatória — ou seja, na permissão para que os tratamentos ocorram em território nacional — como no caso das terapias celulares CAR-T, que já passaram pelo registro sanitário na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). No entanto, nem tudo é acessível para a população.

“O grande gargalo é o acesso, que varia por indicação, estado e via de atendimento. Na rede privada e na saúde suplementar, a disponibilidade tende a ser maior; no SUS, a incorporação é heterogênea e depende da decisão específica por indicação”, pontuou o especialista. 

Fonte: Portal Terra
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