Entenda por que seu inchaço abdominal pode ser SIBO
Mesmo com dieta restrita, sintomas persistem? O problema pode não estar no alimento, mas no intestino
Você já passou pela frustração de retirar o glúten, cortar a lactose e, ainda assim, terminar o dia sentindo que engoliu um balão?
Para muitas mulheres e homens, a jornada em busca de um abdômen sem dor parece um labirinto sem saída. Comemos "limpo", investimos em fibras e saladas, mas o estufamento persiste.
Se esse é o seu caso, a peça que falta no seu quebra-cabeça pode não ser o que você come, mas quem está morando no seu sistema digestivo.
O culpado pode ser a SIBO (Supercrescimento Bacteriano no Intestino Delgado), uma condição que frequentemente se camufla sob o rótulo de "intolerância alimentar".
O que é a SIBO?
Em um sistema digestivo saudável, a grande massa de bactérias vive no intestino grosso. A SIBO ocorre quando essas bactérias migram ou se proliferam excessivamente no intestino delgado, um lugar onde elas não deveriam estar em grandes quantidades.
Ali, elas encontram o alimento ainda em processo de digestão e começam a fermentá-lo precocemente. O resultado?
Uma produção massiva de gases em um canal estreito, gerando aquela distensão abdominal dolorosa e persistente.
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Por que ela é confundida com intolerância?
A sobreposição de sintomas é o que torna o diagnóstico difícil. Gases, dor e estufamento são comuns a ambas.
No entanto, o Dr. Cássio Vieira de Oliveira, médico gastroenterologista, destaca diferenças fundamentais:
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Intolerância Real: Os sintomas aparecem sempre após o consumo de um alimento específico (como o leite) e desaparecem totalmente quando você o retira da dieta.
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SIBO: O desconforto é mais generalizado. Ele pode surgir mesmo sem um gatilho óbvio e costuma apresentar uma piora progressiva ao longo do dia, independentemente do que você comeu no café da manhã.
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Os diferenciais da SIBO: Sinais para observar
Existem pistas que indicam que o problema vai além de uma simples sensibilidade ao leite ou ao trigo:
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Reação a alimentos "saudáveis": Se você sente que maçã, alho, cebola ou excesso de fibras (os chamados FODMAPs) te deixam inchada, isso é um forte indício de SIBO.
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Inchaço constante: Diferente da intolerância, onde o abdômen volta ao normal após a digestão, na SIBO a distensão pode ser constante e acompanhada de arrotos frequentes.
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Sintomas sistêmicos: A SIBO pode interferir na absorção de nutrientes, levando a deficiências (como a de vitamina B12) e sintomas como névoa mental e fadiga.
Por que o diagnóstico correto é vital?
Tentar tratar SIBO apenas excluindo alimentos é como enxugar gelo. Como o problema é o excesso de bactérias no local errado, a dieta de exclusão pode aliviar o sintoma, mas não remove a causa raiz.
Segundo o Dr. Cássio, a investigação precisa ir além do óbvio. O diagnóstico é feito geralmente por meio do teste do sopro (hidrogênio expirado), que detecta os gases produzidos pelas bactérias.
Uma vez confirmada, o tratamento envolve protocolos específicos que podem incluir antibióticos direcionados ou herbais, além de uma dieta temporária de baixa fermentação.
Próximos Passos
Se você vive em uma dieta restritiva e o inchaço continua sendo seu companheiro diário, pare de culpar apenas os alimentos. Observe o padrão: seu inchaço piora ao entardecer? Alimentos saudáveis te fazem mal?
Procure um gastroenterologista e mencione a suspeita de SIBO. Entender o que acontece no seu intestino é o primeiro passo para ter, finalmente, paz com o seu corpo.